Edifício une memória musical e design autoral em bosque preservado em Curitiba

Naquela noite em Curitiba, cerca de 300 pessoas ocupavam um espaço dedicado ao design quando um grupo de músicos tomou a cena. Era o Quinteto Brandão, tocando os primeiros acordes de Tapajós 177, sinfonia composta em 2006 por Hélio Brandão em celebração ao legado musical de sua própria família. As notas se espalharam pelo ambiente como uma memória sonora do lugar que inspirou a obra. Tal ocasião marcou o lançamento do Jardins Artefacto by Swell, empreendimento residencial fruto da colaboração entre a incorporadora Swell e a marca brasileira de mobiliário Artefacto. A aproximação inaugurava um movimento inédito entre as duas empresas. “A apresentação foi emocionante. Para nós era importante que esse momento traduzisse o espírito da parceria e do projeto”, afirma Vanessa Pissetti, sócia-diretora da Swell.
O terreno que dá nome à peça e onde serão erguidos os edifícios guarda uma história singular na cidade: durante cinco décadas, a área da Rua Tapajós abrigou o casarão da família Brandão, cenário de encontros entre músicos, artistas e intelectuais em meio a um bosque preservado. Ali aconteciam saraus que se tornaram parte da vida cultural curitibana. Décadas depois, o espaço inicia um novo capítulo.
Collabs de valor
Fachada de um dos três edifícios do Jardins Artefacto by Swell – os painéis móveis conferem dinamismo ao conjunto
Reframme Studio
O trabalho entre Swell e Artefacto não é um caso isolado. Nos últimos anos, o mercado imobiliário passou a incorporar uma lógica já comum em outros segmentos do luxo: as collabs entre marcas. No campo da arquitetura, esses projetos ficaram conhecidos como branded buildings ou branding imobiliário, iniciativas em que empresas de diferentes áreas se unem para conceber empreendimentos capazes de expressar valores, estética e repertórios compartilhados.
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Nem sempre essas parcerias acontecem entre setores diretamente ligados. O ponto de encontro costuma ser o lifestyle e valores que cada marca representa. Não por acaso, alguns cases mais conhecidos envolvem grifes de moda ou fabricantes de automóveis de alto padrão. Residenciais assinados por Fendi, Dolce & Gabbana, Aston Martin e Lamborghini ilustram como o mercado de luxo tem encontrado na arquitetura uma nova forma de expressão.
No lobby da torre Araucária, uma escultura sobre o espelho d’água faz referência à vocação musical do terreno
Reframme Studio
Para Artur Motta, coordenador do curso de pós-graduação Certificate em Negócios de Arquitetura, da Casa Vogue com a ESPM, iniciativas como a que reúne Swell e Artefacto trazem vantagens claras. “Quando duas marcas se unem em um empreendimento imobiliário, você agiliza a identificação do público com o produto e amplia o alcance da comunicação. São duas redes de relacionamento e de divulgação atuando juntas, o que fortalece o posicionamento e a percepção de valor e exclusividade do projeto.”
Acima, perspectiva de uma das coberturas – nas áreas privativas e comuns, o mobiliário da Artefacto orienta a ambientação, valorizando a continuidade entre os espaços
Reframme Studio
No caso do Jardins Artefacto by Swell, essa convergência começou a tomar forma ainda nas etapas iniciais. A collab ultrapassou a assinatura do nome e passou a orientar a forma de apresentar a proposta ao público. Foi na própria loja da Artefacto em Curitiba que aconteceu aquela noite de lançamento. Ali, entre peças de design e a apresentação do Quinteto Brandão, o público teve o primeiro contato com o projeto em um ambiente que já revelava seu repertório estético.
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Para Vanessa, a colaboração nasceu também de uma coincidência de momento entre as empresas. “Nós já admirávamos a Artefacto. Houve um encontro muito natural entre as marcas. E o mais interessante foi o processo. Mergulhamos no universo deles e incentivamos que os arquitetos envolvidos também fizessem isso. Alguns já eram clientes e dominavam o DNA do mobiliário, o que facilitou demais as concepções desde o início.”
Sintonia com a natureza
Em um terreno de 8 mil m², com a metade ocupada pela mata preservada, a arquitetura parte de uma premissa simples: deixar que a paisagem conduza a vivência do lugar. As três torres se voltam para essa área arborizada, abrindo vistas generosas para a copa das árvores e integrando o entorno ao cotidiano. Também nos espaços comuns o cenário natural assume o primeiro plano, com ambientes de convivência voltados ao silêncio e à presença da vegetação. “Foram anos de conversa para adquirir o terreno, que é uma verdadeira joia urbana”, diz Vanessa.
A segunda geração da família que comanda a Swell: Leonardo, Thiago e Vanessa Pissetti
Manoel Guimaraes
A concepção nasce de uma imersão nos diferentes aspectos que envolvem o projeto, das características das marcas envolvidas à inserção urbanística. “Quando começamos a estudar o local, percebemos imediatamente a força daquele bosque. Isso orientou toda a implantação. Pensamos então em casas suspensas, com amplas aberturas e o conceito de open view, permitindo que a paisagem estivesse sempre presente. Se eu tivesse que resumir nosso trabalho em uma palavra, diria que buscamos harmonia”, afirma Flavio Schiavon, diretor de criação da Baggio Schiavon Arquitetura, um dos escritórios responsáveis pelo projeto arquitetônico, com experiência em branded buildings em outras cidades.
Assim, entre memória cultural, paisagem preservada e criação arquitetônica, o terreno da Rua Tapajós inicia um novo movimento na cidade. Um lugar onde natureza, design e música se mantêm em sintonia.
*Matéria originalmente publicada na edição de abril/2026 da Casa Vogue (CV 482), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.




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