Review: Super Mario Bros. Wonder de Nintendo Switch 2 Edition é um bom complemento de uma aventura maravilhosa
No mundo de discordâncias em que vivemos, dá para contar nos dedos os assuntos que são simples de discutir e passam longe de serem divisivos. Quando falamos sobre os melhores jogos do Mario, é praticamente consenso que Super Mario Bros. Wonder, assim que foi lançado em 2023, assumiu o topo do pódio das experiências 2D do mascote da Nintendo.
De volta a 2023, em nossa análise aqui no Voxel, constatamos que Super Mario Bros. Wonder é cheio de personalidade, traz boas inovações e um frescor necessário à fórmula consolidada de plataforma da franquia. Por ser um game que nos cativou como nos tempos de Super Mario World, não à toa levou para casa uma nota 95, digna de emoldurar.
Ainda que tivesse um componente online em seu lançamento, Wonder parecia estar, digamos, incompleto. Por não oferecer muitos atrativos para seguir jogando após os créditos, a sensação era de potencial desperdiçado: faltava algo que desse sobrevida ao título e que fizesse bom uso, em outros modos, das mecânicas criativas que propôs.
Carinha de Switch 2
Muitos fãs de Nintendo (e me incluo nesse grupo) foram ingênuos ao imaginar que uma atualização gratuita fosse lançada para robustecer o conteúdo de Wonder. Afinal, claramente estava aquém nesse quesito. Quase três anos depois, o complemento que esperávamos chega por meio de um DLC pago (bem pago, diga-se), acompanhado de melhorias para o Nintendo Switch 2.
Práticas abusivas à parte, evito entrar na seara de avaliar como as empresas operam em seu modelo de negócio e me atenho ao que realmente interessa: a experiência do Parque Belabel. Antes de tudo, convém destacar que o visual de Super Mario Bros. Wonder, já agradabilíssimo em sua versão de Switch 1, está ainda melhor no console novo.

As cores vibrantes de personagens e cenários agora parecem saltar da tela no Switch 2, com resolução cristalina em 4K nativo quando acoplado ao dock, o que dá vida até aos mínimos detalhes. No modo portátil, por sua vez, a qualidade da imagem se mantém em 1080p, com taxa de quadros estável em 60fps, independentemente da ocasião.
Essencialmente multiplayer
Em linhas gerais, a essência do DLC está no multiplayer. O Parque Belabel é dividido em três grandes áreas: um hub, uma zona dedicada às atividades em coop local e outra aos desafios do multiplayer online. Quando falo em multiplayer, me refiro à possibilidade de jogar com amigos em uma mesma sala, cada um em seu console, já que não há matchmaking para reunir jogadores aleatórios.

A ausência desse recurso é sentida logo de cara, uma vez que não é sempre que seus parceiros estão online. Ainda tenho esperança de que a Nintendo refine o modo online, tal como fez em outros jogos exclusivos de seu portfólio, mas não posso deixar de enfatizar que esse é meu principal desapontamento.
As salas de jogo comportam quatro usuários ao mesmo tempo em jogatina cooperativa e até 12 no online, número mais que suficiente para tocar o terror e dar boas risadas. Com ares de Mario Party, as atrações de Belabel são intensas do começo ao fim e pensadas para promover sessões curtas, porém memoráveis, de puro caos e gritaria.
Em uma das gincanas, por exemplo, o desafio é alimentar os bebês Yoshi com frutas saudáveis para vê-los crescer. Em outra, participamos de uma corrida de naves aladas em que o objetivo é passar por anéis de velocidade para acelerar, nos moldes dos games clássicos de navinha em visão lateral. É papo de perder horas do dia em uma mesma rodada de minigames.
Embora eu tenha me divertido em 100% das provas, devo dizer que nem todas se sobressaem pela originalidade. Certos passatempos se resumem ao básico do escopo de Mario, como pegar mais moedas que os adversários dentro de um tempo limite ou superá-los com power-ups, em um esquema de brawler à la Super Smash Bros.
Morno em modo solo
O Parque Belabel não seria uma expansão digna de Mario se não trouxesse conteúdo novo para jogar por conta própria. Aqui temos novos encontros contra chefes, a inclusão de Rosalina como personagem jogável, uma espécie de modo ajuda com Luma e, por fim, um potencializador inédito, o superbroto, que empresta uma fantasia de flor para Mario e seus amigos soltarem… bem, flores.
De longe, o modo no qual eu mais investi tempo foi o Campo de Treinamento da Brigada Toad. Apesar do nome, a atividade não passa de um compilado de fases com diferentes desafios e registros de tempo. A ideia é justamente fazer o jogador revisitar o modo de tempos em tempos para superar os próprios recordes, o que me incentivou a treinar mais minhas limitadas habilidades.

O problema, entretanto, não tem relação com a qualidade em si, e sim com a quantidade: há pouquíssimas opções para um jogador. Para quem esperava um modo offline com alto fator replay, tal qual o de Donkey Kong Bananza, é melhor moderar as expectativas e ponderar se este é realmente um investimento viável para você.
Vale a pena?
Já gastando todos os caracteres a que tenho direito só escrevendo o nome do game, Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel é um pacotão que já valeria pelas melhorias visuais e pelo jogo base, contanto que você não tenha aproveitado a experiência no Nintendo Switch. Se você amou a obra original e tem com quem jogar no multiplayer, há muita diversão para extrair daqui, mesmo com um single-player um tanto raso nos extras.
Nota: 75
Pontos positivos (prós):
- Gincanas criativas, à altura do jogo original;
- Ótimas opções de jogo para coop local e multiplayer;
- Visual substancialmente melhor no Switch 2;
- Novos chefes e um modo de desafios para um jogador.
Pontos negativos (contras):
- Morno em conteúdo single-player nos extras;
- Ausência de matchmaking.
Uma cópia de Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel foi gentilmente cedida pela Nintendo para o propósito de análise no Nintendo Switch 2.





COMENTÁRIOS