Esta startup descobriu que jovens querem frequentar os mesmos lugares toda semana — e criou um negócio em cima disso

Quando criaram a Cheers, os jovens universitários Daniel Paulatti Kassar, Gabriel Russo Ramos, Paulo Otavio Panichek Ribeiro e Pedro Henrique Ventura Viggiano queriam digitalizar uma tarefa que desempenhavam de forma offline: a venda de ingressos para eventos das atléticas em Curitiba (PR). O negócio prosperou e superou o nicho inicial, evoluindo para uma plataforma de soluções para a Geração Z.
A principal fonte de receita ainda vem da venda de ingressos – 70% do faturamento –, mas a startup também oferece marketplace, planos de associação de atléticas e clube de benefícios por assinatura para o B2C. “A gente viu que fazemos mais do que vender ingressos: nós conectamos produtores de eventos e marcas ao público jovem com quem eles querem se comunicar, de forma genuína”, aponta Kassar, diretor de operações (COO) e cofundador, 30.
A startup nasceu oficialmente em 2018, com ideia inicial de Viggiano, que estudava Engenharia de Produção na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e participava da atlética – entidade estudantil que promove eventos e venda de produtos para financiar o esporte dentro da universidade – com Kassar. Eles vendiam os ingressos e precisavam circular pelas faculdades da região para vender os convites impressos.
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Inicialmente, eles tentaram desenvolver a plataforma digital com uma software house, mas o projeto não andou. Ramos, colega de Viggiano na faculdade, se interessou pelo negócio e investiu na ideia, trazendo Ribeiro para a startup — eles trabalhavam juntos no time de tecnologia e criação de produto na MadeiraMadeira.
A Cheers nasceu com capital próprio dos sócios e permanece bootstrapping. “Apesar da barreira de concorrência alta das tiqueteiras, é um negócio que consegue gerar caixa rapidamente, com custo baixo. Não nos preocupamos em buscar rodada de investimento logo de cara. A nossa intenção é aumentar o valuation para depois diluir a empresa e isso tem acontecido de forma natural”, pontua Kassar. Apesar de serem alunos da federal, a Cheers abriu escritório na HOTMILK, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Quando a startup começou a tracionar, a pandemia chegou e impossibilitou a realização de eventos presenciais. A receita da Cheers foi a zero, em um momento em que o time começava a crescer com estagiários. A saída foi lançar o marketplace, desenvolvido ao longo de 2019 com o objetivo de se diferenciar no mercado, possibilitando a venda de itens e plano de associação pelas atléticas de forma digital. “Vendemos muito. Quando tracionamos de verdade, entendemos que seria importante que os sócios se apoiassem, porque teríamos de trabalhar muito para fazer acontecer”, comenta Kassar.
Ele afirma que a startup entrou na pandemia com 70 clientes e terminou com 1,7 mil atléticas, centros acadêmicos e diretórios centrais de estudantes (DCE) como usuários. “Minha mãe sabe a reunião comercial da Cheers de cabo a rabo, de tanto que eu vendi na pandemia. Depois, conseguimos montar uma equipe de fato, separamos a área comercial do suporte ao cliente, porque não adianta crescer e não conseguir manter esse usuário”, aponta o COO.
Em 2023, foi uma empresa que abriu os olhos dos sócios para o que levaria ao próximo crescimento da startup. Ela entrou em contato para dizer que gostava da plataforma, mas que seu público não era universitário e, por isso, deixava de comprar ingressos pela Cheers, que na época tinha uma comunicação muito voltada a esse público.
Ao mesmo tempo, o time comercial enfrentava problemas para trazer novos clientes. “Sair do nicho é difícil. Já tínhamos a marca posicionada, mas começou a faltar cliente, o time comercial estava com dificuldades. Eu demorei muito a agir por falta de experiência”, revela Ramos, CEO e cofundador, 29.
Um rebranding foi feito para posicionar a Cheers como uma plataforma para o público jovem, de 18 a 24 anos. “Desenhamos para não resolver apenas a vida universitária, mas conectar essa geração às experiências que ela quer viver”, adiciona o COO. A plataforma também ganhou uma versão white label para quem quer vender ingressos com a infraestrutura tecnológica da Cheers, mas com outra roupagem.
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Eles se inspiraram em empresas de fora do país, voltadas ao público em idade universitária, para criar o Clube Cheers, um plano de benefícios recorrentes em estabelecimentos como bares, restaurantes e baladas, lançado no segundo semestre de 2025.
“Rodamos uma pesquisa com nossos usuários e percebemos que eles querem frequentar os mesmos lugares, então fizemos um benefício mensal, o que traz recorrência para os estabelecimentos”, explica o CEO. A assinatura custa R$ 9,90 e os descontos ficam disponíveis no aplicativo da Cheers.
A novidade está disponível em Curitiba (PR), onde 60 estabelecimentos estão cadastrados com mais de 120 benefícios, e Florianópolis (SC), onde 50 empresas oferecem mais de 100 benefícios. Atualmente, o clube tem em torno de 1 mil assinantes ativos nas duas praças – inicialmente, o produto foi lançado em quatro cidades, incluindo Maringá (PR) e Goiânia (GO), mas os sócios reduziram a presença.
“A nossa parte comercial é muito focada em B2B e vender B2C é diferente, não demanda reuniões e feedbacks constantes. Percebemos que expandimos o B2B muito rápido, mas não tracionamos no B2C, que é quem paga a conta desse produto. Temos limitação de recursos, então precisamos aprender e planejar melhor antes de avançar para novas praças”, afirma Ramos.
Com uma base de 2,5 milhões de usuários que já compraram ingressos pela plataforma e 5 mil parceiros B2B (bares, festas, produtores de eventos, empresas de formatura), a Cheers aposta no crescimento do clube, principal foco de crescimento para 2026. A meta é chegar ao fim do ano com 5 mil assinantes, presença entre 6 e 10 praças, e receita recorrente para driblar a sazonalidade dos eventos.
*A jornalista viajou a convite da HOTMILK.
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