La Braciera, cinco anos em alta temperatura
Há algo interessante acontecendo com a pizza em São Paulo. Aquilo que sempre foi território de conforto, repetição e memória começa a ganhar outra camada, mais técnica, mais inquieta, mais conectada com o que se faz lá fora. É nesse ponto que a La Braciera chega aos cinco anos e decide celebrar não olhando para trás, mas puxando a conversa para frente. O convite a Diego Vitagliano, um dos nomes mais relevantes da cena napolitana contemporânea, não soa como evento pontual, mas como gesto de intenção.
Recém-posicionada entre as melhores do mundo ao alcançar a 19ª colocação no 50 Top Pizza, a casa usa o momento menos como troféu e mais como ponto de partida. A passagem de Vitagliano pelo Brasil, com agenda que atravessa São Paulo e Rio de Janeiro ao longo de abril, se desenha como um circuito de troca real, daqueles que mexem na cozinha, no processo e na cabeça de quem está por trás do forno. Jantares, lançamentos, treinamentos e conversas que acontecem sem palco formal, mas com impacto direto no que chega à mesa.
Em Moema, onde parte dessa programação ganha forma, o encontro entre a operação da casa e o olhar do pizzaiolo italiano revela mais do que colaboração. Mostra um alinhamento de ambições. Vitagliano, que levou sua pizzaria “10 Diego Vitagliano” ao topo do ranking mundial em 2023, construiu sua trajetória justamente nesse território de equilíbrio delicado entre tradição e evolução. Sua assinatura aparece em massas de longa fermentação, alta hidratação e leveza quase aérea, como no estilo canotto, de bordas infladas e textura elástica, que redefine a experiência da pizza sem romper com sua origem.

O Brasil, nesse contexto, surge como terreno fértil. O próprio chef percebe um consumidor curioso, disposto a explorar diferentes estilos e aberto a experiências que vão além do previsível. A ideia de uma pizzaria com múltiplas leituras, capaz de oferecer variação e repertório, começa a ganhar força. E é exatamente nessa direção que a La Braciera parece caminhar, afinando discurso e prática à medida que amadurece sua operação.
Desde a fundação, em 2021, a casa aposta em um modelo que combina rigor técnico e vocação de escala. A massa, feita com farinha Molino Caputo, fermento natural, água e sal, passa por 48 horas de fermentação, garantindo leveza e estrutura. O resultado, replicado em unidades que vão dos Jardins ao Tatuapé, passando por Higienópolis, Moema e Campinas, sustenta um volume expressivo, mais de 45 mil pizzas por mês, sem abrir mão de um discurso que flerta com a alta gastronomia.
Mas talvez o ponto mais interessante esteja no que não é imediatamente visível. Há uma mudança de mentalidade em curso. A pizza deixa de ser apenas produto e passa a ser linguagem, campo de pesquisa, território de construção. A visita de Vitagliano não cria essa transformação, mas a acelera, colocando em contato direto quem produz e quem pensa a pizza em escala global.
@labracierapizza
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