Samba dá o tom da Agenda RIC 2026
Samba dá o tom da Agenda RIC 2026
ISADORA MACIEL POEIRAS SANTOS
A Agenda RIC está de volta e inicia, em abril, a edição 2026, que neste ano homenageia o samba como patrimônio cultural de Belo Horizonte. Ao longo do mês, centros culturais, museus, o Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado (CRCP) e o Cine Santa Tereza recebem atividades gratuitas, como saraus, concursos de samba, apresentações de capoeira, exposições, sessões de cinema, shows e oficinas de música e dança.
A programação completa pode ser consultada no Portal PBH, onde também está disponível o conteúdo digital “Personalidades Negras”, que retorna com homenagens mensais a nomes importantes do samba da capital mineira. A primeira homenageada será a compositora Dona Lourdes Maria, grande referência para a cena do samba na cidade.
A Agenda RIC e o conteúdo “Personalidades Negras” integram o programa Rede de Identidades Culturais (RIC), política permanente de promoção e reparação da igualdade racial desenvolvida pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Fundação Municipal de Cultura, que articula ações voltadas à temática racial no município. “O programa se consolida como uma política pública contínua, que articula cultura e promoção da igualdade racial ao reconhecer e dar visibilidade às expressões culturais negras presentes nos territórios de Belo Horizonte. Ao abrir a edição de 2026 com o samba, reafirmamos o compromisso com essa memória viva e com os sujeitos que a constroem no dia a dia”, afirma Cida Falabella.
A valorização do samba como patrimônio da cidade também passa pelo reconhecimento das trajetórias que ajudaram a consolidar essa expressão cultural ao longo do tempo. “Esse reconhecimento do samba como patrimônio também é resultado da atuação histórica de sambistas que ajudaram a construir essa linguagem em Belo Horizonte. A programação da Agenda RIC evidencia essa trajetória e amplia o acesso da população a esses bens culturais”, destaca Bárbara Bof.
Programação de abril
Abrindo a edição 2026, a programação de abril da Agenda RIC reúne atividades em diferentes espaços da cidade. Nos museus, o destaque é para as exposições “Belo Horizonte: fora dos planos” e “Travessias do Arraial Curral del Rei”, no Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), com visitação de quarta a domingo, das 10h às 18h, e “Clara Nunes – Eu Sou a Tal Mineira”, no Museu da Moda (MUMO), de quarta a sábado, no mesmo horário.
Ao longo das quintas-feiras do mês, o Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira recebe, às 19h, a oficina “Passistas Show BH”. O equipamento recebe, ainda, a Velha Guarda da Escola de Samba Unidos dos Guaranys, no dia 20 de abril, às 14h30, em uma atividade voltada ao público com mais de 60 anos. No Centro Cultural Vila Fátima, o projeto “Batuque Pelo Morro – Fica Vivo! Serra” promove oficinas de música às segundas e quartas-feiras, às 15h30. Já o Centro Cultural São Bernardo integra a programação com outra oficina de música, realizada às terças-feiras, às 14h30.
Já no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado (CRCP), um dos destaques é o concurso de samba promovido pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental, no dia 16/4, a partir das 13h. O espaço também mantém em cartaz, ao longo do período, a exposição “Jogo da Liberdade – A Capoeira em Belo Horizonte, Anos 60, 70 e 80”.
No dia 19, às 11h, o Teatro Francisco Nunes recebe o espetáculo “O Culto da Rua convida Jonathan Ferr”, dentro do projeto Música de Domingo, do Circuito Municipal de Cultura. Já o Cine Santa Tereza exibe no dia 26/4, o premiado filme “Pecadores” (Dir.: Ryan Coogler | EUA | 2025).
Personalidades Negras
O conteúdo “Personalidades Negras” integra a programação da Agenda RIC 2026 com o eixo “Horizontes Imortais – A Cara do Samba”, que homenageia, ao longo do ano, nomes fundamentais do samba belo-horizontino. A seleção é realizada em parceria com a Diretoria de Patrimônio e a Gerência de Culturas Populares e Urbanas, da Fundação Municipal de Cultura, e leva em conta a contribuição de homens e mulheres negras para a consolidação e permanência dessa expressão cultural na cidade.
A primeira homenageada é a compositora Lourdes Maria, conhecida no universo do samba como Lourdes “Bocão”, uma das principais referências da história do samba em Belo Horizonte. Sua trajetória está diretamente ligada à formação e à resistência do samba e do carnaval na capital mineira.
Em um cenário predominantemente masculino, Dona Lourdes iniciou sua atuação com apenas 11 anos de idade, na Escola de Samba Pedreira Unida, em 1938. Nos anos seguintes, em 1946, fundou a Escola de Samba Monte Castelo, tornando-se uma das poucas mulheres à frente da criação de agremiações carnavalescas na cidade. À época, recebeu o título de “Duquesa do Samba”, em reconhecimento ao seu destaque nas disputas carnavalescas. O conteúdo completo sobre a Dona Lourdes pode ser acessado no Portal da PBH, na página do Programa RIC 2026.
Programa Rede de Identidades Culturais
O Programa Rede de Identidades Culturais (RIC) é uma política contínua voltada à ampliação da atuação da cultura nas estratégias de enfrentamento à discriminação racial e de fortalecimento das culturas de matrizes africanas em Belo Horizonte. A iniciativa foi criada em 2023, a partir das celebrações dos 20 anos da Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História da África e das culturas africana e afro-brasileira na educação básica, e dos 15 anos da Lei 11.645/2008, que incluiu a temática indígena no currículo.
Em 2026, o programa tem como tema o samba, reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Belo Horizonte em 2024, destacando sua importância histórica e seu papel na formação cultural da cidade.
SERVIÇO
Programa Rede de Identidades Culturais (RIC) | Agenda RIC | outubro de 2025
Data: até o dia 30/4
Entrada gratuita
Programação completa disponível no Portal Belo Horizonte
Série virtual “Personalidades Negras” disponível no Portal PBH





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