Problemas de pele na Academia: Evite infecções com hábitos simples de higiene
Dermatologista alerta que suor, umidade e contato com superfícies compartilhadas favorecem não só micoses, mas também vírus e bactérias, e explica como se proteger
Dra. Paula Sian/Foto: Fernando Mussi Ambiente fechado, calor, suor e alta circulação de pessoas: a combinação pode transformar academias em locais propícios para o surgimento de diferentes problemas de pele. Mais do que micoses, infecções virais, como verrugas e até vírus da família do HPV, também podem ser transmitidas nesses espaços, principalmente quando há descuido com higiene e contato com superfícies compartilhadas.
De acordo com a dermatologista Dra. Paula Sian, o risco existe, mas está muito mais relacionado ao comportamento dos frequentadores do que ao ambiente em si.
“A pele úmida, quente e em contato com superfícies contaminadas cria o cenário ideal para fungos, vírus e bactérias. Não é só micose, a gente vê muitos casos de verrugas e outras infecções que as pessoas nem associam à academia”, explica.
Embora as micoses sejam comuns, especialmente em regiões de dobra como virilha, axilas e abaixo das mamas, outros agentes também merecem atenção. Vírus transmitidos por contato podem estar presentes em equipamentos, bancos e até nos vestiários.
“Você pode pegar ao encostar em superfícies contaminadas ou ao andar descalço. Esses vírus entram em contato com a pele e podem se manifestar depois, principalmente quando a imunidade cai”, alerta.
O risco está no comportamento
Ao contrário do que muitos imaginam, os aparelhos não são os principais vilões. O maior risco está nos vestiários e no contato indireto com objetos e superfícies compartilhadas.
“Bancos, toalhas, roupas e ganchos são pontos importantes de contaminação. A pessoa encosta a toalha, outra encosta a dela no mesmo lugar, e assim vai passando”, explica a especialista.
A recomendação é evitar contato direto da pele com essas superfícies. Não sentar diretamente nos bancos, não apoiar toalhas em ganchos de uso coletivo e manter objetos pessoais isolados, como deixar a toalha sobre a mochila. No banheiro, o cuidado também é essencial: usar protetor de assento ou papel higiênico antes de sentar.
Outro ponto frequentemente negligenciado são as mãos.
“As pessoas limpam o banco, mas esquecem de limpar onde colocam a mão. Halteres, barras e aparelhos também acumulam vírus e bactérias”, diz a dermatologista.
Higienizar os equipamentos antes e depois do uso e evitar levar a mão ao rosto durante o treino ajudam a reduzir o risco.
Entre os erros mais comuns estão permanecer com roupa suada por muito tempo, não tomar banho após o treino, guardar roupas úmidas no cesto, circular descalço e compartilhar objetos pessoais.
“A umidade é o principal fator. Quanto mais tempo a pele fica molhada, maior o risco”, reforça.
De acordo com a Dra. Paula, a prevenção, no entanto, é simples: tomar banho após o treino, trocar e lavar as roupas, usar chinelo em vestiários, evitar contato direto da pele com superfícies, higienizar aparelhos e manter itens pessoais isolados.
“São cuidados básicos, mas que fazem toda a diferença. Quando há infecção, o tratamento varia conforme o tipo e a região afetada. No caso de verrugas, pode ser necessário destruir a lesão com técnicas como congelamento, calor ou uso de ácidos. Pode causar desconforto temporário, mas resolve. O problema é não tratar, porque pode se espalhar”.
Lesões que coçam, ardem, descamam ou não melhoram devem ser avaliadas por um especialista. “Nem toda irritação é micose. Tratar errado pode piorar o quadro. A orientação é simples: apareceu e não melhorou, procure um dermatologista”, finaliza.
Dra. Paula Sian (Dermatologista)
Dermatologista desde 2007, Paula Sian Lopes é formada pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), onde também fez residência em Clínica Médica e Dermatologia. Especializou-se em Farmacodermia e Dermatoses Imuno Ambientais na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Medicina Chinesa e Acupuntura na Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA).
Desde 2011, Paula atende em seu consultório próprio com o viés em Dermatologia clínica, estética e cirúrgica, tanto para adultos como para crianças. Além disso, a especialista realizou serviços voluntários no ambulatório de alergias da UNIFESP, de 2013 a 2017.
A médica também é escritora e acaba de lançar o “Um burnout para chamar de seu”, um livro que relata, pelo ponto de vista do paciente, como é conviver com o burnout.
CRM: 111963-SP RQE Nº: 38348
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