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Belo Horizonte,10/04/2026

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Quem é Valentin Vacherot, a “zebra” de Monte Carlo que desafia Alcaraz

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Quem é Valentin Vacherot, a “zebra” de Monte Carlo que desafia Alcaraz
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Valentin Vacherot poderia ser descrito como um “estranho no ninho” na semifinal do Masters 1000 de Monte Carlo, se falássemos apenas sobre sua carreira. A descrição, porém, tem um problema: ele é, literalmente, daquele “ninho”.


Nascido e criado na região, o tenista representa a bandeira de Mônaco, principado que tem menos de 40 mil habitantes. O Monte Carlo Country Club, onde o Masters é disputado, é o clube que ele frequenta e onde treina desde os 6 anos de idade.




É neste ambiente que, 21 anos depois, Vacherot terá um dos grandes desafios da sua carreira, até aqui: encarar o espanhol Carlos Alcaraz, número 1 do ranking da ATP, na semifinal deste sábado (11), por volta das 10h30 (de Brasília).


O tenista monegasco, atualmente 17º do ranking (ele já ganhou seis posições pela campanha), é o único dos semifinalistas que não está no top 3: Jannik Sinner (#2) e Alexander Zverev (#3) fazem a primeira semifinal.


Campanha histórica em Monte Carlo


Após vencer o australiano Alex de Minaur nas quartas de final, nesta sexta (9), em uma batalha de três sets e 2h24, Vacherot tentou descrever a dimensão do feito em sua cidade natal.





Todos os caras lá em cima gritando, esses são todos os meus melhores amigos desde que eu tinha 9, 10, 11, 12 anos. Ensino médio, ensino fundamental com eles. É raro para um jogador ter essa chance de ter tantas pessoas próximas ao redor. Todos os membros do clube sentados por toda parte aqui nas cabines. Eu consigo nomear provavelmente mil rostos na torcida. Eu sou simplesmente tão sortudo de ter um torneio no meu clube



Valentin Vacherot, semifinalista em Monte Carlo



O caminho até a semifinal, porém, foi de muito suor. O monegasco correu risco sério de ser eliminado já na estreia, contra Juan Manuel Cerúndulo. O argentino venceu o primeiro set e chegou a abrir 2-0 no segundo, mas, apoiado pela torcida, Vacherot virou o jogo e fechou em 5-7, 6-2 e 6-1.


Sempre na base da luta, o atleta da casa passou por Lorenzo Musetti (#9), Hubert Hurkacz (#63) e De Minaur (#7). A título de comparação, ele levou 5h15 de jogo a mais que seu adversário, Alcaraz, na campanha até a semifinal.




Início de carreira fora do padrão


Após dividir o tempo na infância entre o tênis e o esqui, Vacherot definiu sua modalidade preferida e escolheu o caminho a seguir. Um caminho pouco comum, de certa forma.


Ele partiu para os Estados Unidos, onde defendeu a Texas A&M University, uma potência do tênis universitário, entre 2014 e 2017. Ou seja, não era visto como uma promessa que segue diretamente do juvenil para o profissional, como o brasileiro João Fonseca, eliminado nas quartas.


Apesar de ter se tornado um dos melhores jogadores universitários dos Estados Unidos, essa formação explica a evolução tardia de Vacherot no circuito. Por outro lado, ganhou maturidade física e mental antes de se profissionalizar.


Mais de 200 posições conquistadas em um ano


A evolução lenta e gradual de Vacherot teve o seu salto espetacular no último ano. Para se ter uma ideia, no Masters de Monte Carlo de 2025, ele jogou com um wild card, já que não estava nem no top 200 do ranking da ATP.


Para a atual edição, ele conseguiu a vaga direta, pois entrou no torneio como 23º do mundo, sua melhor posição até então.


Depois de passar muitos anos no circuito Future e ATP Challenger Tour, acumulando títulos menores, Vacherot apareceu de vez ao surpreender o mundo do tênis conquistando o Masters 1000 de Xangai, em outubro de 2025.




Vacherot e Rinderknech na final do Masters de Xangai
Vacherot e Rinderknech na final do Masters de Xangai • Reprodução/Instagram/@rolexshmasters

Na ocasião, ele chegou ao torneio na 204ª posição, herdando uma vaga após desistência do brasileiro João Fonseca, e desbancou a lenda Novak Djokovic em dois sets na semifinal, após ter vencido Holger Rune, então top 10, nas quartas.


Na final, Vacherot venceu seu próprio primo, Arthur Rinderknech, que esteve no caminho do João em Monte Carlo. Ele entrou para a história como o tenista pior ranqueado a vencer um Masters 1000 na história.


Como foi a vida antes do título em Xangai


Antes de Xangai, o melhor momento da carreira profissional de Vacherot tinha acontecido no começo de 2024, com 16 vitórias em 17 partidas nos dois primeiros meses da temporada.


Com isso, ele conquistou os três títulos mais importantes de sua carreira em simples: dois torneios Challenger 75 em Nonthaburi, na Tailândia, e o Challenger 100 de Pune, na Índia.


Com um bom desempenho no saibro, o tenista continuou somando pontos importantes para o ranking da ATP durante a primavera do Hemisfério Norte.


Ele chegou à semifinal no Challenger de Aix-en-Provence, avançou do qualifying para a primeira rodada de Roland Garros e ainda venceu um set contra Alejandro Davidovich Fokina na estreia do Grand Slam.


Esses resultados o levaram à 110ª colocação do ranking mundial, melhor de sua carreira até aqui.


“Sumiço” após lesão


O bom momento de Vacherot foi interrompido por uma lesão no ombro, que o afastou das quadras por vários meses e praticamente o tirou da segunda metade da temporada.


Ele ainda tentou competir no US Open de 2024, mas acabou abandonando a partida ao voltar a sentir dores.


“Quando penso nos momentos difíceis do ano passado e deste ano, fico muito emocionado. Ficar seis meses parado foi muito duro”, declarou Vacherot após vencer Tallon Griekspoor nas oitavas de final em Xangai.


“Também sofri uma queda feia em Wimbledon este ano, então encaro tudo isso como uma recompensa pelo que enfrentei. Essa vitória realmente me toca. Estou vivendo duas semanas incríveis.”


Estilo de jogo de Vacherot


Apesar de Carlos Alcaraz não ter apresentado seu melhor tênis no saibro de Monte Carlo, ainda, é muito difícil imaginar que Vacherot consiga surpreendê-lo e chegar à final, tanto pela diferença de nível técnico quanto pelo cansaço acumulado.


O monegasco, porém, não vai perder sem deixar tudo o que tem na quadra. Antes do torneio, ele chegou a ser ridicularizado nas redes sociais ao dizer que prefere vencer Monte Carlo a um dos Grand Slams — a piada era que ele não conseguiria nada perto de nenhum dos dois.


Ao seu favor, ele terá os amigos e colegas de clube na torcida, além de uma direita pesada e agressiva e o preparo físico acima da média, que tem chamado a atenção pela resistência em trocas longas de bola.


O que João Fonseca precisa para subir de nível no tênis? Lendas opinam



 




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