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Belo Horizonte,10/04/2026

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Prefeitura exonera guarda municipal denunciado pela morte de adolescente em Curitiba

g1.globo.com
Prefeitura exonera guarda municipal denunciado pela morte de adolescente em Curitiba
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Garoto de 17 anos estava no 3º ano do Ensino Médio
Arquivo da família
A Prefeitura de Curitiba exonerou o guarda municipal Edilson Pereira da Silva, denunciado pela morte do adolescente Caio José Ferreira de Souza Lemes durante uma abordagem em Curitiba. A exoneração foi publicada na edição de terça-feira (7) do Diário Oficial do município.
Caio foi baleado na cabeça em março de 2023. Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), o adolescente estava de joelhos e com as mãos na cabeça quando foi baleado na nuca. Em um Boletim de Ocorrência, Edilson Pereira da Silva afirmou que o jovem o ameaçou com uma faca e que, por isso, atirou. A versão foi contestada por outro guarda que participou da abordagem.
O decreto publicado no Diário Oficial esclarece que o servidor infringiu princípios e deveres fundamentais na conduta profissional exigida de servidores públicos e guardas municipais. Entre eles, a proporcionalidade e razoabilidade, e a imparcialidade no exercício profissional.
O g1 procurou a Guarda Municipal de Curitiba e a defesa de Edilson, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem.
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'Dor da família permanece'
Amigos da escola fizeram homenagens ao adolescente morto após ser baleado pela Guarda Municipal de Curitiba
Acervo Pessoal
Em nota, o advogado André Romero, que representa a família do adolescente, informou que a exoneração "representa um passo necessário no reconhecimento da gravidade dos fatos e na reafirmação de que agentes públicos não podem agir à margem da lei, tampouco permanecer em suas funções após a prática de atos dessa natureza".
"Não há qualquer motivo para comemoração. Nenhuma medida administrativa é capaz de reparar a perda irreparável de Caio, cuja vida foi brutalmente interrompida. A dor da família permanece e seguirá presente", diz a nota.
O advogado destaca ainda que é dever do Estado garantir que os agentes atuem dentro dos limites legais, preservando a vida e a dignidade de todos os cidadãos.
Processo na Justiça continua correndo
Em maio de 2023, o MPPR denunciou Edilson Pereira da Silva por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e com utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Outro guarda que participou da abordagem foi denunciado por fraude processual, por supostamente ter ajudado a colocar a faca ao lado do corpo do adolescente.
A audiência de instrução da ação penal está prevista para julho.
O que dizia Boletim de Ocorrência registrado pelos agentes
De acordo com guarda, faca foi colocada na cena após adolescente ser baleado
Reprodução
No Boletim de Ocorrência registrado inicialmente pelos guardas municipais, os agentes afirmam que faziam patrulhamento preventivo quando foram informados por um motorista de que havia pessoas na região suspeitas de tráfico de drogas.
De acordo com o boletim, os guardas foram ao local indicado e viram quatro pessoas com as características citadas pelo denunciante. Segundo os guardas, Caio era um dos integrantes do grupo e teria fugido.
Então, os guardas afirmam ter ido atrás do adolescente — dois a pé e um com a viatura. De acordo com o documento, o agente que estava de carro cercou Caio, que teria feito movimento indicando que iria se deitar.
Porém, nessa hora, o guarda afirma que o adolescente tirou do boné uma faca de 25 centímetros. O agente diz ter se sentido ameaçado e, para resguardar a própria vida, disparou com arma de fogo.
O boletim de ocorrência não diz quantos tiros foram dados. Caio foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Na calça do garoto, segundo o documento, foram encontrados dois tabletes de sete centímetros de substância parecida com maconha, um celular e um cartão transporte.
Dois guardas foram investigados por envolvimento na morte do adolescente
Reprodução/RPC
Guarda presente na abordagem diz que jovem não era alvo de revista e que faca foi colocada no local
O guarda municipal Anderson Bueno disse à polícia que o jovem não era alvo da revista inicial feita pela equipe.
Segundo Bueno, Caio passou correndo pelo local onde ocorria uma abordagem, momento em que começou a ser perseguido pela equipe policial. O agente afirmou que acredita que o jovem tenha se assustado ao ver a abordagem acontecendo e, por isso, correu.
O agente relatou que, após verem o estudante correndo, ele e outro guarda da equipe, Edmar Junior, correram a pé em direção ao jovem. O terceiro integrante da equipe, Edilson Pereira da Silva, entrou na viatura policial e perseguiu Caio com o veículo, o alcançando mais rapidamente.
Conforme o relato de Anderson, a viatura bateu contra uma mureta, o que assustou Caio, que parou de correr, colocou as mãos na cabeça, se ajoelhou e mencionou que iria deitar no chão.
Anderson afirma que, logo em seguida, ouviu um barulho de tiro, se aproximou e viu a lesão na cabeça do estudante. Ele conta ainda que pediu para que vizinhos chamassem o socorro para atender o jovem.
De acordo com o relato de Anderson Bueno, não houve pedido da população para que a equipe fosse ao local. A versão também é diferente da registrada inicialmente no Boletim de Ocorrência. Segundo Bueno, o chefe da equipe quis passar pela região porque havia suspeita de alguém com mandado de prisão em aberto circulando pelo bairro.
Anderson Bueno afirmou durante o depoimento que o jovem baleado não estava com uma faca, como foi indicado pelo Boletim de Ocorrência.
Segundo o agente, após a situação, ouviu um barulho de metal caindo no chão e viu a faca próxima ao adolescente. Entretanto, Bueno alega que o objeto havia sido apreendido pela mesma equipe policial em uma abordagem anterior, feita no Parque Municipal Mané Garrincha.
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