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Belo Horizonte,07/04/2026

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Análise: Sinais alertam para escassez de petróleo

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Análise: Sinais alertam para escassez de petróleo
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A guerra no Oriente Médio provocou a maior interrupção no fornecimento de petróleo já registrada.


A crise atual de petróleo e gás desencadeada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz devido ao conflito é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”, declarou Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), ao jornal Le Figaro nesta terça (7).


“Quanto mais (a guerra) se prolonga, mais assustador fica. Hoje podemos não ter escassez (de petróleo), mas eventualmente teremos”, disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.


“Se continuarmos no caminho em que estamos agora, ficaremos sem combustível”, alertou.




Os contratos com entrega prevista para o final deste mês estão sendo negociados com um valor adicional alto em comparação com os contratos para os meses subsequentes. Essa situação é conhecida como backwardation e sugere que o mercado acredita que o fornecimento de petróleo está em risco, principalmente para contratos de longo prazo.


A restrição de oferta é o principal fator para a quase duplicação do preço dos contratos futuros do WTI neste ano. O Brent, referência internacional, ultrapassou os US$ 110 por barril.


Mas o preço do petróleo bruto está subindo ainda mais rápido. O Brent “datado”, que mede o preço do barril físico no mercado, atingiu US$ 141,26 na semana passada – o maior valor desde 2008.


“É como a última garrafa de água: você está disposto a pagar qualquer coisa por ela”, comparou Vikas Dwivedi, estrategista global de energia do Macquarie Group.


Em outro sinal de escassez, a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, estaria cobrando valores adicionais recordes de clientes pelo petróleo bruto.


A Arábia Saudita está cobrando um adicional de US$ 19,50 para entregar petróleo a clientes na Ásia em comparação com os preços de referência do petróleo bruto Arab Light e até US$ 30 acima do Brent para clientes na Europa, de acordo com o Financial Times.


Lipow estima que os americanos estejam gastando — direta e indiretamente — cerca de US$ 830 milhões a mais por dia em gasolina, querosene de aviação e outros combustíveis para transporte em comparação com o período anterior ao início da guerra.


Preço do querosene de aviação dispara, companhias aéreas reduzem voos


Os preços do querosene de aviação dobraram no último mês, à medida que os problemas de fornecimento de petróleo bruto se traduziram em restrições de oferta. Os aeroportos normalmente armazenam combustível de aviação suficiente para apenas alguns dias, e as companhias aéreas praticamente deixaram de fazer hedge e armazenar o próprio combustível nos últimos anos.


Lipow observou que, mesmo antes de a indústria ficar sem combustível de aviação, as companhias aéreas começariam a cancelar voos.


Essa tendência já está acontecendo, com algumas companhias aéreas reduzindo a capacidade.


Outras já começaram a aumentar os preços das passagens. Alguns aeroportos na Itália introduziram restrições de combustível para voos, segundo a Bloomberg.


Racionamento de combustível e limitação das exportações


Se a guerra continuar e o Estreito de Ormuz permanecer fechado por mais seis a oito semanas, Dwivendi afirmou que a escassez de diesel pode se tornar possível – e até mesmo a escassez de gasolina, caso o Estreito permaneça fechado durante a temporada de viagens de verão.


Ao contrário do petróleo bruto, que pode encontrar rotas alternativas de transporte, o querosene de aviação, o diesel e a gasolina são normalmente transportados por oleodutos das refinarias para os armazéns.


As regiões mais vulneráveis ​​dos Estados Unidos são a Costa Leste e a Costa Oeste, ambas dependentes de importações para suprir a demanda.


“O mercado da Costa Oeste pode entrar em colapso a qualquer momento”, afirmou Tom Kloza, analista independente de petróleo e consultor da Gulf Oil.


Alguns países, temendo a escassez, começaram a impor restrições na tentativa de reduzir a diferença entre oferta e demanda.


Do lado da oferta, China, Tailândia, Paquistão e Coreia do Sul restringiram as exportações, enquanto a Rússia proibiu a exportação de gasolina em meio à guerra com a Ucrânia.


Para aliviar a demanda e combater a escassez, alguns países da Ásia estão racionando combustível, incluindo Mianmar e Bangladesh.


Essas restrições, porém, têm um custo, incluindo a desaceleração das economias locais.


Os Estados Unidos, o maior produtor mundial de petróleo e um dos principais refinadores de combustíveis, estão mais protegidos do que outros países da crise de abastecimento.


No entanto, os EUA não estão imunes à mesma escassez física de petróleo e combustível.


“É como se houvesse um enorme buraco no casco de um navio”, analisou Kloza. “O problema começa na Ásia, depois na África, e na Europa. E, em algum momento, vai atingir os Estados Unidos”, concluiu.


















Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?





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