Conselho de Segurança da ONU abre sessão que pode autorizar uso da força no Estreito de Ormuz nesta terça

Diplomatas se preparam durante sessão no Conselho de Segurança da ONU para votar uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026.
Reprodução/ g1
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) votará nesta terça-feira (7) uma resolução que autoriza o uso da força no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra com Israel e os Estados Unidos.
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➡️ A resolução estipula que países podem usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio (leia mais abaixo).
Caso aprovada, a medida será o primeiro aval da ONU ao uso da força na guerra no Oriente Médio. A votação ocorre ainda em um dia decisivo no conflito, por conta do ultimato dado por Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz. EUA e Israel também intensificaram ataques nesta terça (leia mais abaixo).
No entanto, a resolução enfrenta oposição de membros permanentes do conselho, que têm o poder de vetar qualquer medida em votação. A China, um dos que têm poder de veto, já disse ser contra qualquer autorização do uso da força. Embora tenha adotado uma postura neutra na guerra, Pequim costuma mostra alinhamento pragmático com Irã, de quem é o principal comprador de petróleo.
França e Rússia, que também podem barrar votações por serem membros permanentes do conselho, já indicaram oposição à medida. Na tentativa de um acordo, diplomatas adiaram para a semana que vem a votação, inicialmente marcada para esta sexta-feira e depois remarcada para este sábado (4).
Em uma das manobras para tentar o apoio de China e Rússia, o Bahrein, país que propôs a resolução, já retirou do texto uma referência à aplicação obrigatória da medida. O esboço final autoriza o uso da força "por um período de pelo menos seis meses (...) e até que o Conselho decida de outra forma".
Após vários adiamentos, o texto será submetido à votação nesta manhã;
O que diz o texto
A última versão do projeto de resolução, à qual a agência de notícias AFP teve acesso, condena os ataques iranianos contra navios e "encoraja fortemente os Estados" envolvidos a "coordenar esforços, de natureza defensiva e proporcionais às circunstâncias, para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, inclusive escoltando navios mercantes e comerciais".
O texto também "exige" que o Irã "cesse imediatamente todo ataque contra os navios" que transitam por essa via marítima e "toda tentativa" de impedir a livre navegação.
Além disso, indica que o Conselho poderá "considerar outras medidas" contra aqueles que a comprometam.
Dia decisivo
A guerra no Oriente Médio entrou em um dia decisivo nesta terça-feira (7). A manhã foi marcada por intensos ataques na região, a poucas horas do fim do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Irã reabrir totalmente o Estreito de Ormuz.
Em meio à escalada militar, tanto Trump quanto o Irã dobraram apostas e renovaram ameaças. O presidente dos EUA afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite", caso o regime iraniano não reabra a via marítima. Já o Irã manteve o tom desafiador.
Veja, abaixo, o que ocorreu nesta terça:
Donald Trump renovou o ultimato que deu ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Na tentativa de pressionar Teerã, disse, em uma postagem em sua rede social Truth Social, que "uma civilização inteira morrerá esta noite", em referência a ataques que promete fazer caso o prazo não seja atendido;
Antes mesmo de o ultimato expirar, os EUA já atacaram a estratégica ilha de Kharg, no Irã, segundo o vice-presidente J.D. Vance. Kharg, que estoca cerca de 90% de todo o petróleo produzido no Irã, foi atacada pela 2ª vez na guerra, mas sua infraestrutura petrolífera foi poupada novamente;
Israel também não esperou o prazo e anunciou ter feito "amplos ataques" ao redor do território iraniano nesta terça, atingindo pontes, trens, aeroportos e edifícios. Entre os alvos estão uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do país. Uma petroquímica em Shihaz, também foi atingida;
Várias explosões atingiram Teerã, e uma delas matou 9 pessoas, segundo a mídia local. Israel pediu que iranianos não viajassem em trens, e ataques a ferrovias já foram registrados;
O Irã revidou. Convocou a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciou que a época 'de boa vizinhança' com países do Golfo acabou e que abandonará qualquer contenção em novos ataques.
O regime iraniano manteve o tom desafiador. Em entrevista à agência Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que o país não vai reabrir Ormuz em troca de "promessas vazias" e ameaçou fechar também a via marítima de Bab el-Mandeb, "se a situação sair do controle". A fonte da agência Reuters iraniana ameaçou ainda deixar "todo o Oriente Médio no escuro" se os EUA atacarem as usinas de energia do Irã.
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