Setor de seguros lança ferramenta que cruza dados ambientais no agro
O setor segurador lançou uma nova ferramenta para acelerar a contratação de seguro rural e incluir critérios ambientais na análise das lavouras. Trata-se da Solução de Conformidade Socioambiental, desenvolvida pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras).
A plataforma cruza dados de propriedades rurais com 18 bases públicas oficiais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural), áreas embargadas, unidades de conservação, terras indígenas e registros de desmatamento. A integração permite uma análise mais estruturada e auditável antes da aceitação do risco pelas seguradoras.
Na prática, a ferramenta funciona como um filtro adicional na concessão do seguro. Além de fatores tradicionais, como clima e produtividade, as empresas passam a considerar também a conformidade ambiental e fundiária das áreas.
O lançamento ocorre em um momento de transição da safra, com a colheita da soja em fase avançada, início da retirada do milho de primeira safra e avanço do plantio da segunda safra (safrinha), período em que cresce a demanda por proteção no campo.
Segundo dados do setor, 68,6% das seguradoras já incorporam critérios ASG (ambientais, sociais e de governança) na subscrição, enquanto 80,6% afirmam que podem recusar cobertura ou deixar de renovar contratos diante de riscos socioambientais incompatíveis com suas políticas .
Para Glaucio Toyama, presidente da comissão de seguro rural da FenSeg, o avanço da ferramenta acompanha uma mudança estrutural no mercado.
“O seguro rural tem passado por um processo contínuo de aprimoramento, incorporando tecnologia, dados e critérios cada vez mais rigorosos na análise de risco. A Solução de Conformidade Socioambiental é um exemplo concreto de como o setor vem estruturando suas práticas não apenas do ponto de vista ambiental e social, mas também de governança, com processos mais transparentes, auditáveis e alinhados às exigências regulatórias, garantindo não apenas a proteção da produção, mas também a integridade das cadeias produtivas e o cumprimento da legislação”, afirmou.
Segundo o executivo, esse movimento tende a ganhar ainda mais força em momentos como o atual, com encerramento de ciclos e início de novos plantios. Para ele, as seguradoras estão cada vez mais criteriosas com as análises, especialmente no que diz respeito a questões ambientais.
A nova ferramenta avança num movimento já em curso no setor, que busca padronizar o uso de bases públicas, ampliar o monitoramento das propriedades e reduzir incertezas na precificação do risco.





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