Análise: Países das Américas despontam no jogo geopolítico da energia
Rússia, em guerra na Europa: grande produtora de petróleo. Irã e países do Golfo, em guerra no Oriente Médio: grandes produtores de petróleo. Venezuela: também grande produtora de petróleo.
Energia é o nome do jogo hoje no mundo. Tanto não renovável (petróleo, gás natural), quanto renovável. E as Américas aparecem como um destino para o investimento e para o suprimento de energia para o mundo todo.
As Américas têm abundância tanto de petróleo e gás natural, como dessas energias renováveis.
Os Estados Unidos são autossuficientes e exportam petróleo e gás natural.
O México, a Venezuela — que mudou de regime —, o Equador, a Colômbia e a Argentina são produtoras de energia. E o Brasil também é um grande produtor de energia, exportando petróleo.
O Brasil tem uma vantagem, que é a produção de biocombustíveis — o etanol, que a gente já tem mais de 50 anos de tradição e testes e hoje já é um terço da gasolina.
Quem é que perde nesse mundo do reordenamento energético? A Europa, que ficou na mão da Rússia — fornecedora de gás natural e de petróleo — e hoje está buscando alternativas.
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Só que algumas das alternativas que a Europa foi atrás agora estão afetadas pela Guerra do Oriente Médio: os países ali do Golfo Pérsico — ou do Golfo Arábico.
Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e Bahrein são fornecedores de gás natural para a Europa e tiveram, nesse período da guerra, o seu fluxo interrompido.
Mas o maior perdedor é a Ásia: Índia, China, Japão e o Sudeste Asiático, altamente dependentes dessa energia que vem lá dos países do Golfo Pérsico, que têm, mais que tudo, equipamentos, instalações e infraestruturas sendo destruídas; tanto poços de extração de gás e de petróleo, como refinarias e outros equipamentos de setores petroquímicos.
Os grandes vencedores desse rearranjo da geopolítica energética global são os países das Américas.
Estados Unidos, em primeiro lugar, que vão adquirir mais força de mercado, podendo definir fluxos e preços. E os países aqui do continente americano; é o que, aliás, está escrito na Doutrina de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
É uma boa oportunidade para os países da região – em particular o Brasil.
* Alberto Pfeifer é coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP (Universidade de São Paulo). Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW





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