Família ameaçada vela vítima de feminicídio sob escolta da PM em Patrocínio Paulista, SP

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Familiares de Lauany de Souza Osório, de 27 anos, morta a facadas no domingo de Páscoa em Patrocínio Paulista (SP), velaram o corpo da jovem nesta segunda-feira (6) sob escolta da Polícia Militar.
Apontado como principal suspeito do crime pela Polícia Civil, Lucas Ferreira já tinha ameaçado de morte os sogros e a própria filha, de 7 anos, caso Lauany não reatasse o relacionamento com ele.
Há 15 dias, a Justiça concedeu uma medida protetiva à Lauany contra Ferreira e ainda estendeu a ordem de restrição ao pai e à filha dela.
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Velório de Lauany de Souza Osório aconteceu sob escolta da Polícia Militar em Patrocínio Paulista, SP
Lindomar Cailton/EPTV
Ferreira está foragido. Nesta segunda-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva dele. A mãe de Lauany, Rosângela de Souza, teme que ele volte para fazer mal ao restante da família.
“Ele me ameaçou, falava que ia matar todo mundo se ela não voltasse com ele. É triste. Eu quero que peguem ele. A gente não está dormindo, nem vai dormir sossegado de medo de ele aparecer e fazer alguma coisa com a menina, com nós”, diz.
Até a última atualização desta matéria, o g1 não havia localizado a defesa de Ferreira.
Encontro, discussão e morte
Segundo familiares, o casal viveu junto por sete anos, mas o relacionamento sempre foi marcado por ameaças e agressões. Recentemente, Lauany havia descoberto uma traição do marido e pediu o divórcio.
Ela passou a viver com a filha na casa dos pais, na zona rural de Patrocínio Paulista, mas Ferreira não aceitava o fim da relação.
Lauany de Souza Osório foi morta na garagem de uma casa em Patrocínio Paulista, SP
Lindomar Cailton/EPTV
No último domingo (5), a família comemorava a Páscoa quando Lauany disse à mãe que precisava ir para a cidade.
"Ela falou: 'mãe, vou à cidade'. Falei 'você está conversando com ele no telefone?', e ela falou: 'não, mãe, estou conversando com um amigo meu'. Mas estava conversando com ele no celular", diz Rosângela.
Segundo testemunhas, o casal se encontrou no bairro João Lopes Sobrinho, por volta das 16h, e começou a discutir. Lauany chegou a bater na casa de uma mulher para pedir água e dizer que estava sendo ameaçada pelo ex-marido.
De acordo com a atendente de restaurante Tainá Nascimento, Ferreira esfaqueou a ex-mulher dentro do imóvel.
"Ela [Lauany] pediu um copo de água. A dona da casa foi lá dentro na cozinha, pegou a água e ela falou que era para chamar a polícia para ela, porque ele [Ferreira] estava sendo agressivo e tinha medida protetiva. Aí ela encostou no portão e entrou. Ele empurrou a dona da casa e começou a dar os golpes. Foi quando ela caiu no chão, não teve nem tempo de pedir ajuda".
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Lauany de Souza Osório foi morta pelo ex-marido, Lucas Ferreira, em Patrocínio Paulista, SP
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Lauany foi morta com, pelo menos, dez facadas. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado como feminicídio na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Franca (SP).
Ameaças e alertas
A mãe de Lauany conta que alertou a filha várias vezes para o risco de morte que ela corria ao manter o relacionamento com Ferreira.
"Eu avisava para ela 'ele vai te matar, ele vai te matar' e ela não acreditava, nunca acreditava. Fez protetiva, mas não adiantou."
Mesmo com a medida protetiva, Ferreira continuava ameaçando a vítima e os familiares dela. Em mensagens enviadas à Lauany, ele mandou fotos de uma arma e mencionou o pai dela.
Segundo a advogada Néria Lúcio Buzatto, medidas protetivas estendidas às famílias de mulheres ameaçadas por companheiros têm sido cada vez mais comuns.
“A gente sabe que na maioria das vezes não é só a vítima. Inclusive as medidas protetivas estão sendo deferidas no sentido de proteger também os familiares porque é muito comum ameaçar também os familiares não somente a mulher, vítima.”
Rosângela de Souza chora a morte da filha Lauany de Souza Osório em Patrocínio Paulista, SP
Lindomar Cailton/EPTV
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