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Belo Horizonte,07/04/2026

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Minimalismo urbano: o apartamento do arquiteto Fred Peclat, em São Paulo

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Minimalismo urbano: o apartamento do arquiteto Fred Peclat, em São Paulo
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Em uma cidade irrefreável como São Paulo, é compreensível que a maioria de seus quase 12 milhões de habitantes passe batida por detalhes. Não é o caso do arquiteto Fred Peclat. Seu lar de 120 m², nos Jardins, revela surpresas intencionais a cada canto. “A curadoria é rigorosa e contida. Maçanetas, interruptores, torneiras e esquadrias foram desenhados exclusivamente pelo Atelier Peclat e produzidos localmente. Não há aleatoriedade, apenas decisões conscientes. Tudo foi pensado como parte de um sistema maior”, conta ele, que coassina o projeto com a arquiteta Gabriela Chow.
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Fred Peclat lê na cozinha – os armários foram executados pela AG Movelaria
Filippo Bamberghi
+ Inspirado em bairro de Milão, apartamento aposta em curvas e memória afetiva
O imóvel em uma rua paralela à Avenida Paulista guarda alguns dos atributos mais desejados em qualquer centro urbano: localização estratégica, amplitude e farta iluminação natural. “Este apartamento representa um refúgio dentro da metrópole, mas não um isolamento dela. Ele absorve a cidade. A materialidade bruta, a luz que entra crua pelas esquadrias metálicas: tudo dialoga com essa São Paulo concreta, direta e sem ornamentos”, resume Peclat.
Tudo aqui dialoga com uma São Paulo concreta, direta e sem ornamentos
A tela de autoria desconhecida contrasta com a parede de tijolos
Filippo Bamberghi
O canto de leitura do quarto recebeu poltrona N, de Zanine Caldas, luminária de piso Madame Mu, design Atelier Peclat para a More, e revisteiro vintage, tudo sobre piso de granilite da Casa Franceza
Filippo Bamberghi
+ Texturas mil e tons terrosos vestem apartamento minimalista
A reforma derrubou paredes para que a área social pudesse ser totalmente integrada, resultando em cozinha, living e escritório fluidos. “A renovação não foi pensada como uma ruptura, mas como exercício de depuração. O ritmo do espaço é dado por uma sequência precisa de volumes e vazios”, diz. Logo na entrada, o revestimento de pau-ferro nas paredes e no teto cria um túnel que dá as boas-vindas. “Ao atravessá-lo, o visitante deixa para trás o corredor escuro e é conduzido cinematicamente à luz difusa dos ambientes internos. Uma transição não apenas espacial, mas sensorial”, descreve o arquiteto.
Vejo São Paulo como um território de fricção criativa. Nada é óbvio, nada é totalmente resolvido – e talvez seja isso que a torne fértil
A sala de jantar recebeu mesa de autoria desconhecida, cadeiras escolares holandesas e luminária de Serge Mouille
Filippo Bamberghi
Este canto do living exibe poltrona vintage de Carlo Hauner, luminária de Hans Bergström, do Ateljé Lyktan, coleção de banquinhos antigos e tapete da Nani Chinellato
Filippo Bamberghi
O escritório, que também faz as vezes de sala de jantar secundária, combina mesa desenhada pelo Atelier Peclat, cadeira Tesoura, de Zanine Caldas, e cadeiras de madeira de autoria desconhecida – nas paredes, tapeçaria Kuba e máscara de Manoela Medeiros
Filippo Bamberghi
Detalhe do escritório, com marcenaria da AG Movelaria, tela de Gustavo Bourgeaiseau, máscara africana e objetos escultóricos
Filippo Bamberghi
+ Com cores próprias, apartamento de designer eleva o ato de receber
O piso de granilite percorre todos os cômodos e coleciona motivos para ter sido escolhido: remete ao modernismo brasileiro, tem superfície opaca e levemente irregular, além de dialogar com os tijolos aparentes das paredes. Painéis de marcenaria ocultam portas e espaços de armazenamento de forma discreta e, para completar, o teto recebeu forro metálico branco de grelha, que atua “quase como a malha urbana de São Paulo traduzida para o interior doméstico”, reflete o morador. “É uma camada técnica e gráfica que acrescenta ritmo e profundidade. Em conjunto com o piso, cria uma moldura que unifica os interiores.”
+ Design como arte: tudo é escultórico em apartamento paulistano
No quarto, penteadeira vintage atribuída a Giuseppe Scapinelli, dupla de cadeiras Tesoura, de Zanine Caldas, telas de Sérgio Fernandes (à esq.) e Alexandre Rochegaussen, e arandela do Raak Design Studio
Filippo Bamberghi
O lavabo tem cuba de mármore Carrara, da Pietra Mármore, e maçaneta Malevich, design Atelier Peclat para a More
Filippo Bamberghi
Entre os destaques do mobiliário do living figuram sofá e poltrona Moustache e mesa de centro Imi, tudo design Atelier Peclat para a More, luminária de piso atribuída a Franco Albini (em primeiro plano), mesa lateral da Riccó Móveis e, na parede à esq., tela de Tatiana Chalhoub e aparador de pau-ferro – o forro leva grelha metálica modular da Refax
Filippo Bamberghi
Se à primeira vista o apartamento sugere certa neutralidade, olhares atentos logo notam a composição sofisticada de referências da decoração, com peças modernas brasileiras ao lado de ícones internacionais, objetos garimpados e obras de arte cuidadosamente selecionadas. “Cada elemento integra uma narrativa contínua, na qual forma, função e atmosfera se entrelaçam com precisão”, afirma Peclat. “O resultado é um ambiente que não busca ostentar, mas revelar camadas.”
*Matéria originalmente publicada na edição de março/2026 da Casa Vogue (CV 481), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual, e para assinantes no app Globo Mais.
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