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Belo Horizonte,05/04/2026

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Análise: 1ª a pedir ajuda e 1ª a decolar, como a Latam agora voa mais alto

cnnbrasil.com.br
Análise: 1ª a pedir ajuda e 1ª a decolar, como a Latam agora voa mais alto
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A Latam Airlines Group consolidou-se como a principal força da aviação na América do Sul, deixando concorrentes para trás ao sair fortalecida de um setor que foi devastado pela pandemia. O que parecia uma crise existencial virou ponto de inflexão estratégico.


Seis anos após recorrer ao Chapter 11 nos Estados Unidos, a companhia protagoniza uma recuperação rara: suas ações avançaram 54% no último ano, o melhor desempenho entre pares globais, mesmo considerando a correção recente das últimas semanas.


No mercado de crédito, os bonds em dólar com vencimento em 2030 e 2031 renovaram máximas históricas em 2026, acumulando retorno de 7,40 apenas no último trimestre.




Rentabilidade da ação da Latam Airlines, ticker LTM negociado na NYSE
Rentabilidade da ação da Latam Airlines no período de 1 ano, ticker LTM negociado na NYSE • TradingView

O contraste com os rivais é evidente. Avianca, Gol Linhas Aéreas Inteligentes e Azul Linhas Aéreas Brasileiras, todas também submetidas ao Chapter 11 nos últimos anos, ainda enfrentam dificuldades para recuperar níveis operacionais anteriores à pandemia.


A Latam seguiu outro caminho: levantou cerca de US$ 5 bilhões em ações e títulos conversíveis em 2022, reforçou o balanço com mais intensidade que os concorrentes e cortou aproximadamente US$ 1 bilhão em custos anuais.


No Brasil, Azul Linhas Aéreas e Gol Linhas Aéreas, que, ao lado da Latam, concentram o mercado aéreo do maior país da região, seguem pressionadas financeiramente.


A Azul demorou até 2025 para recorrer ao Chapter 11 e saiu do processo apenas na semana passada, após levantar até US$ 950 milhões em capital novo. Nos fundamentos da ação, carrega uma alavancagem relevante, com dívida líquida equivalente a 5,7 vezes o Ebitda.


A Gol, que concluiu sua reestruturação no ano passado com até US$ 1,85 bilhão em financiamento, não registra lucro anual há quase dez anos e opera com alavancagem superior a seis vezes o Ebitda.


Quadro das aéreas fora do Brasil


Fora do Brasil, a Avianca apresenta quadro relativamente mais equilibrado. Depois de se reestruturar em 2021 e captar US$ 1,7 bilhão em novos recursos, a companhia colombiana reformulou seu modelo para se aproximar do padrão low cost, reduziu a frota e reconfigurou cabines para elevar a densidade por voo.


O resultado é uma relação dívida líquida/Ebitda inferior a três vezes, ainda alta, mas administrável dentro do setor.


A Latam, por sua vez, vive outro momento. A empresa acaba de reportar dois anos consecutivos de lucros recordes, validando a aposta feita por credores como JPMorgan Chase e Goldman Sachs, que estruturaram mais de US$ 2 bilhões em dívida no financiamento de saída da recuperação judicial.


Com geração de caixa consistente, expansão de rotas e ampliação de frota, a companhia reduziu sua alavancagem para 1,5 vezes o Ebitda — abaixo da meta de duas vezes e bem inferior às 4,2 vezes registradas em 2019.


Ainda assim, o potencial adicional de valorização dos bonds pode ser limitado. Os papéis com vencimento em 2030 e 2031 contam com opções de resgate nos próximos dois anos, sendo que o título de 2030 já pode ser refinanciado a partir de outubro, o que tende a restringir ganhos adicionais.


Por outro lado, uma recompra antecipada fortaleceria ainda mais o perfil de crédito da empresa.


Atualmente, os títulos em dólar com vencimento em 2030 são negociados com yield de 7,462%, enquanto os de 2031 oferecem retorno de 7,312%. Níveis que refletem uma empresa já percebida como recuperada, mas com prêmio comprimido.




Títulos privados da Latam Airlines compilados pela FINRA negociados nos EUA.
Títulos privados da Latam Airlines compilados pela FINRA negociados nos EUA. • TradingView

A expansão da Latam no Brasil


A Latam Airlines Group pretende acelerar a expansão, com foco especial no Brasil, avançando justamente sobre o espaço deixado por concorrentes fragilizados.


Em setembro, fechou um acordo para adquirir até 74 aeronaves narrowbody da Embraer. As primeiras entregas estão previstas para o segundo semestre de 2026 e devem viabilizar a abertura de 35 novos destinos.


A definição das rotas e das cidades brasileiras atendidas com o primeiro lote ocorrerá nos próximos meses.


A administração projeta manutenção do ritmo operacional. A companhia estima Ebitda entre US$ 4,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões em 2026, acima dos US$ 4,1 bilhões registrados no ano anterior.


A receita, por sua vez, deve avançar de cerca de US$ 14,5 bilhões projetados para 2025 para algo entre US$ 15,5 bilhões e US$ 16 bilhões neste ano, crescimento sustentado por expansão de capacidade e maior eficiência operacional.




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