Trela anuncia fim das atividades após pivotagem

A Trela, startup de delivery de alimentos, anunciou nesta quinta-feira (2/4) o encerramento de suas atividades. Investida de SoftBank, Kaszek e General Catalyst, a plataforma surgiu em 2020, conectando moradores de condomínios a pequenos e médios produtores no contexto de isolamento social da pandemia, mas já havia pivotado em 2023 para um modelo de entrega de produtos saudáveis.
“A Trela nasceu para ajudar as pessoas a se alimentarem melhor. Ao longo dos últimos 5 anos, trabalhamos para tornar isso mais simples: com curadoria de produtos de qualidade, preços justos e entregas confiáveis. Hoje, precisamos compartilhar uma decisão difícil: encerramos nossa operação”, diz a nota divulgada pela startup nas redes sociais e enviada para fornecedores. O marketplace continua no ar – o canal de suporte seguirá disponível até 30 de abril.
De acordo com a Trela, a receita anualizada em março era de R$ 85 milhões e a startup crescia mais de 20% ao mês, com margem positiva. Isso não foi o bastante. “O varejo é um negócio de margens apertadas e que exige um custo fixo alto, capital de giro e uma operação complexa. A Trela dependeria de muito capital aportado para crescer e ter sucesso no longo prazo”, diz o texto.
Initial plugin text
Com a impossibilidade de captar uma nova rodada, a decisão pelo encerramento das atividades foi tomada. “A empresa se esforçou para isso, mas não encontrou os parceiros e os termos ideais para seguir em frente. Sem os recursos necessários para continuar, a decisão responsável foi encerrar as operações, honrando todos os compromissos com funcionários, fornecedores, clientes e investidores”, diz a nota.
A Trela se une a outras startups de delivery de alimentos que não deram certo no mercado nacional: a mexicana Justo, que operou no Brasil entre 2021 e 2024, e a Mercado Diferente, que decretou o fim em 2024.
Carrinho vazio: por que o segmento de mercado online é desafiador para startups no Brasil
Como surgiu
Quando foi fundada por Guilherme Nazareth, João Jonk e Guilherme Alvarenga, a Trela automatizava grupos de WhatsApp, enviava ofertas semanais e intermediava pedidos — com a entrega realizada pelos próprios produtores. Esse modelo atraiu investidores como Softbank, Kaszek, Y Combinator e General Catalyst e culminou em uma rodada Série A de US$ 25 milhões em março de 2022.
Porém, com a retomada das rotinas pós-crise sanitária, a startup precisou pivotar, passando a operar de forma mais próxima a players como Shopper, assumindo o controle de toda a cadeia, da oferta via aplicativo, lançado em maio de 2023, à entrega, com centro de distribuição próprio, mirando um público interessado em saúde e longevidade.
Veja também
Em 2025, a Trela entrou na Justiça contra a Shopper – investida do iFood –, alegando práticas anticompetitivas. De acordo com a startup, a Shopper estaria abordando fornecedores com contratos de exclusividade.
Veja a nota publicada pela Trela:
“A Trela nasceu para ajudar as pessoas a se alimentarem melhor. Ao longo dos últimos 5 anos, trabalhamos para tornar isso mais simples: com curadoria de produtos de qualidade, preços justos e entregas confiáveis.
Hoje, precisamos compartilhar uma decisão difícil: encerramos nossa operação.
A Trela deixa algo de que vamos nos orgulhar para sempre. Vimos mais de 100 mil clientes descobrirem um jeito mais simples de comer bem. Vimos famílias encontrarem produtos que viraram parte da rotina. Vimos crianças comendo melhor, adultos retomando hábitos mais saudáveis. Tudo isso ao lado de mais de 400 fornecedores incríveis, que confiaram na Trela para levar seus produtos às casas de tantas pessoas.
É difícil conciliar essa decisão com nosso momento como negócio. Em março, chegamos a 85 milhões de reais de receita anualizada, crescendo mais de 20% ao mês, e com uma margem de contribuição positiva que também crescia.
Mas operamos em um mercado duro. O varejo é um negócio de margens apertadas e que exige um custo fixo alto, capital de giro e uma operação complexa. A Trela dependeria de muito capital aportado para crescer e ter sucesso no longo prazo. Infelizmente, não conseguimos encontrar um investimento com termos que nos levariam a esse sucesso.
Sou profundamente grato a todas as pessoas que fizeram parte dessa jornada com a gente: nossos investidores, time, clientes, fornecedores, entregadores e tantos outros parceiros. Foi um privilégio trabalhar com vocês!
Gui, Co-Fundador e CEO da Trela”
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos de PEGN? É só clicar aqui e assinar!





COMENTÁRIOS