Cera, porcelana e 150 mil cristais: Glen Martens leva a Margiela para Shanghai
Pela primeira vez, a Maison Margiela colocou o pé na estrada e levou o seu desfile de inverno 2026 para Shanghai. Sob a direção criativa de Glenn Martens, a marca apresentou sua coleção de prêt-à-porter ao lado de peças da linha Artisanal, e refletiu sobre a história comercial da cidade – tanto que o show aconteceu em um terminal de contêineres.
Para que a jornada fosse um pouco mais tranquila – afinal, é uma grande aventura despachar cerca de 70 looks com materiais diversos, de máscaras de cera de abelha a detalhes de porcelana –, a marca respeitou crenças e tradições da cultura chinesa, como evitar o número quatro.
A obsessão de Martens por trabalhar com cera de abelha e uma máscara rendada e encerada foram o ponto de partida para a nova coleção. O material reveste várias peças, como em um vestido de luto da era vitoriana, em referência a uma técnica ligada ao uso da cera na China antiga. Foi a primeira vez em anos que as equipes de Artisanal e ready-to-wear trabalharam juntas em um projeto, com 20% das peças apresentadas criadas com as técnicas mais refinadas da marca.
A era eduardiana foi outra inspiração para Martens, com bonecas de porcelana inspirando em diferentes maneira: de vestidos em linha A com um brilho que se assemelha ao material (feito com técnicas de aerografia, escaneamento e impressão) a uma peça construída inteiramente com fragmentos de porcelana.







A lista de experimentações técnicas é extensa: tinta látex branca derrubada sobre um vestido de baile e, depois de seca, teve partes retiradas; um modelo coberto com folhas de ouro que se desprendem conforme a modelo se move; um vestido criado com 150 mil adesivos de estrela; uma peça em forma de cascada feita com 22 metros de tafetá, esculpido à mão com 400 pontos e quase 200 horas de trabalho. Nem o vestido que fecha a coleção saiu ileso. A peça foi criada com uma pintura de cinco metros, que ganha o shape de um modelo coluna.
No ready-to-wear, a alfaiataria retrô ganha força. Jaquetas estruturadas, casacos de couro e plissados fluidos levam a experimentação técnica para o dia a dia, em um jogo entre estruturado e transparente, criando uma nova “segunda pele”. “Claro que a Margiela nunca será uma marca sexy, mas pode ser sexy à sua maneira – você não brinca com ela”, disse Martens em entrevista ao WWD.
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