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Belo Horizonte,05/04/2026

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Morumbis virou uma 'gigantesca máquina de caça-níqueis', diz promotor sobre operação contra venda ilegal de camarotes

g1.globo.com
Morumbis virou uma 'gigantesca máquina de caça-níqueis', diz promotor sobre operação contra venda ilegal de camarotes
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Polícia faz operação contra venda ilegal de camarotes no Morumbis, estádio do time do São Paulo
O Morumbis, estádio do São Paulo, virou uma "máquina de caça-níqueis" que favoreceu a algumas pessoas e não ao clube de futebol, segundo um dos promotores à frente da operação do Ministério Público e da Polícia Civil contra a venda ilegal de camarote, realizada nesta quarta-feira (21).
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do clube, e que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos. Outro alvo era Rita Adriana, a pessoa que negociava ilegalmente os camarotes.
As evidências que foram trazidas hoje mostram com segurança para a polícia e o Ministério Público que a arena Morumbi, em razão de shows seguidos foi transformada, na verdade, em uma gigantesca máquina de caça-níqueis que favoreceram pessoas especificamente e não o clube, que é vítima de tudo o que está acontecendo.
Por meio de nota, o São Paulo Futebol Clube disse que "é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação".
Em dezembro do ano passado, o ge divulgou áudios em que Douglas fala sobre a divisão de lucros do esquema. “Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”, diz ele em um dos trechos.
Ele e Mara pediram licença dos cargos. Os advogados negam as acusações e afirmam que os áudios foram retirados de contexto.
Morumbis, estádio do São Paulo
Marcos Ribolli
Na residência de Adriana, a diligência restou infrutífera quanto à localização da investigada; seus filhos, presentes no local, informaram que a mesma reside atualmente em outro endereço. Ali, porém, anotações pertinentes foram encontradas.
Na residência de Mara Casares, as buscas lograram êxito, resultando na apreensão de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em espécie, além de farta documentação e uma CPU.
Por fim, na residência de Douglas, constatou-se que o alvo encontra-se em viagem ao exterior. As equipes foram atendidas pelos filhos do investigado e as buscas no imóvel permanecem em andamento neste momento.
Parte interna do estádio do Morumbis, na Zona Sul de São Paulo.
Rubens Chiri/Divulgação/SPFC
Impeachment de Casares
O São Paulo Futebol Clube atravessa uma das maiores crises políticas e institucionais de sua história recente. O clube é alvo de investigações da Polícia Civil, enfrenta sucessivos escândalos internos e teve o presidente Julio Casares afastado do cargo em uma votação de impeachment no Conselho Deliberativo.
Paralelamente ao processo político interno, a Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para apurar possíveis crimes envolvendo a gestão do clube. Casares poderá responder por associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita. O SPFC é considerado vítima.
Julio Casares, presidente do São Paulo Futebol Clube.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
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Segundo a investigação, entre 2021 e 2025 foram realizados saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, os valores eram retirados por funcionários do São Paulo. Depois, passaram a ser sacados por uma empresa de transporte de valores.
O destino do dinheiro ainda é desconhecido.
Ainda de acordo com a polícia, nesse mesmo período, houve depósitos na conta pessoal de Julio Casares que totalizam cerca de R$ 1,5 milhão.
O advogado do presidente, Bruno Borragini, negou qualquer relação entre os saques do clube e os depósitos na conta de Casares.
“Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio”, afirmou ao Fantástico.
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Divulgação/São Paulo Futebol Clube
A defesa também argumenta que Casares, antes de assumir a presidência, atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que explicaria os depósitos.
O advogado do clube, Pedro Iokoi, justificou os saques em espécie alegando que algumas despesas do futebol exigem pagamento em dinheiro, como arbitragem e premiações aos jogadores.
Na semana passada, o São Paulo contratou peritos para reunir notas fiscais e tentar comprovar a destinação dos valores.
A crise institucional se soma a uma temporada sem títulos e marcada por outros episódios polêmicos. Em 2025, ao menos dois atletas receberam aplicações de canetas emagrecedoras adquiridas de um vendedor sem autorização da Anvisa. O responsável, o nutrólogo Eduardo Rauen, teve o contrato rescindido.




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