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Belo Horizonte,03/04/2026

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Torre Montparnasse: a odisseia da remodelação do edifício mais odiado de Paris

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Torre Montparnasse: a odisseia da remodelação do edifício mais odiado de Paris
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Quando a Torre Eiffel foi inaugurada em 1889, a cidade de Paris se dividiu em dois grupos: aqueles que a admiravam e os que a odiavam. Neste segundo grupo estava o crítico ferrenho Guy de Maupassant, que costumava almoçar debaixo da torre de ferro para evitar vê-la de seu próprio apartamento. No entanto, com o tempo, a Torre Eiffel se tornaria o grande ícone da cidade. Já no século XX, surgiu uma concorrente: a Torre Montparnasse, com 210 metros de altura, concluída em 1973 e considerada por muitos como “a caixa da Torre Eiffel”. E não, não se trata exatamente de um elogio.
Considerado o edifício mais odiado pelos parisienses por interromper a harmonia do emblemático skyline da capital francesa, a Torre Montparnasse sempre foi motivo de controvérsia — especialmente entre aqueles que afirmam que a melhor vista de Paris é a do 56º andar da torre, por ser o único lugar de onde ela não pode ser vista. De fato, após sua inauguração, a cidade decidiu que não seriam construídos mais edifícios altos, com exceção da Torre Triângulo, prestes a ser concluída no sudoeste de Paris. Um debate que volta à tona nos dias atuais após o anúncio de uma remodelação da Torre Montparnasse sob responsabilidade de Renzo Piano — que, como não poderia deixar de acontecer, já despertou as primeiras críticas.
Remodelar a Torre Montparnasse, o edifício mais odiado de Paris
Ângulo mais próximo da Torre Montparnasse
Mlenny/Getty Images
Nouvelle AOM é o coletivo de arquitetos que responde ao concurso internacional Demain Montparnasse, nascido da associação de três agências parisienses — Franklin Azzi Architecture, ChartierDalix Architectes e Hardel Le Bihan Architectes — que compartilham uma mesma visão: repensar o patrimônio de Paris e dar uma nova vida à Torre Montparnasse.
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O desafio não é pequeno. Trata-se de transformar um edifício que, durante mais de cinco décadas, tem sido um dos mais criticados pelos parisienses. Além disso, o contexto atual não ajuda: seu entorno imediato se degradou, com um centro comercial em declínio e espaços ocupados de forma precária. A proposta da Nouvelle AOM busca reverter essa percepção. A ideia é transformar o arranha-céu em um edifício mais leve e transparente, onde as linhas verticais se abrem em terraços com vegetação e culminam em um grande jardim na cobertura — mais conectado com a cidade e com as novas formas de habitar.
A tarefa de renovar o centro comercial ficou a cargo de Renzo Piano, o arquiteto italiano que ganhou notoriedade nos anos 1970 pelo Centro Pompidou, um dos grandes bastiões culturais de Paris — atualmente fechado para obras de renovação —, cujo desenho pós-moderno também escandalizou os parisienses na época, embora, diferentemente do que ocorreu com a Torre Montparnasse, sua percepção tenha melhorado ao longo das décadas.
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Após já ter transformado radicalmente a paisagem urbana de Paris anteriormente, Renzo Piano se sente confiante para recuperar esse vestígio dos anos 1970 por meio da fragmentação da enorme plataforma de concreto na base da torre. A partir dessa premissa, a ideia é integrá-la ao bairro como uma extensão, por meio de percursos para pedestres e uma praça arborizada.
O skyline parisiense com a Torre Montparnasse
Alexander Spatari/Getty Images
A proposta de Renzo Piano surgiu como alternativa depois que os investidores rejeitaram um redesenho mais ambicioso do arquiteto Richard Rogers, falecido em 2021 e seu antigo parceiro no Centro Pompidou. Naturalmente, a ideia de demolir a torre é o sonho de muitos moradores locais, mas essa opção seria inviável do ponto de vista financeiro. Por isso, optou-se por revitalizar a área ao estilo parisiense, a partir de um orçamento inicial estimado em 700 milhões de euros. O objetivo é evocar aquela antiga região de Montparnasse dos anos 1920, que um dia atraiu nomes como Ernest Hemingway e James Joyce.
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Agora, com a torre prevista para ser desocupada e fechada ao público no final de março, as obras podem começar em breve. Ainda assim, as primeiras críticas não demoraram a surgir: desde Carine Petit, que se opõe ao projeto por considerá-lo excessivamente comercial e com pouco espaço público, até os partidos ecologistas, que não aprovam a presença de mais um polo voltado 100% ao turismo — além da questão das muitas pombas que nidificam no teto do atual centro comercial. Enquanto se aguarda o avanço da reforma, Renzo Piano aposta em captar o espírito do momento e fazer justiça à Torre Montparnasse.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest Espanha




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