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Belo Horizonte,30/03/2026

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Lisboa redesenha sua cena hoteleira e gastronômica

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Lisboa redesenha sua cena hoteleira e gastronômica

Nos últimos anos, Lisboa vem deixando de ser apenas uma capital histórica com boa mesa tradicional. A cidade passou a concentrar projetos que mesclam gastronomia, vinho, hotelaria e arte contemporânea, muitas vezes impulsionados por chefs estrangeiros ou por profissionais que circularam entre diferentes países antes de se estabelecer ali.


Ao caminhar por bairros como o Bairro Alto, o Chiado ou a própria Avenida da Liberdade, percebe-se que a capital de Portugal passou a funcionar como ponto de encontro entre diferentes tradições culinárias e culturais.





Essa transformação não significa ruptura com a tradição. Pelo contrário: boa parte da nova cena lisboeta se constrói justamente a partir da releitura de elementos que sempre fizeram parte da cultura local: vinho, cozinha do mar e a hospitalidade portuguesa. Restaurantes de pequena escala convivem com hotéis históricos reconfigurados e com projetos gastronômicos que refletem a diversidade que passou a caracterizar a cidade.





Tradição renovada


C
Café da manhã do Tivoli Avenida Liberdade Lisboa

Um dos endereços que ajudam a entender essa transição é o Tivoli Avenida Liberdade, localizado na Avenida da Liberdade. O hotel abriu em 1933, quando a marca Tivoli nasceu em Portugal e, desde então, ocupa um dos pontos mais bem localizados da cidade.


O edifício passou por uma grande reformulação nos anos 1950, adquirindo a configuração que ainda mantém hoje. Ao longo do tempo, as intervenções foram mais discretas, concentradas em áreas internas e na atualização de serviços. Parte da renovação recente veio da gastronomia.


No térreo funciona a Cervejaria Liberdade, restaurante onde também é servido o café da manhã que segue à risca a tradução do termo no país: “pequeno almoço” – tamanha sua fartura e diversidade. Embutidos, queijos, pastéis de nata e muitas delícias lusitanas são servidos em seu imponente salão. O espaço aposta em uma leitura sofisticada de pratos clássicos portugueses, com forte presença de frutos do mar. Entre as entradas aparecem produtos ligados à tradição local, como queijo de ovelha, presunto ibérico e o peixinho da horta. Um dos momentos mais requisitados do serviço é o preparo do bife tártaro – versão portuguesa do Steak tartar – diante do cliente, montado à mesa.


Já no topo do edifício, o restaurante e bar Seen ganhou popularidade pela vista da cidade, por seus drinks autorais contemporâneos e por funcionar como ponto de encontro no fim da tarde, reunindo moradores e turistas.


Cultura na taça


Fachada do Palácio Ludovice Wine Experience Hotel

Outra característica da cena lisboeta é a presença cada vez mais evidente do vinho como elemento central da experiência gastronômica. A integração entre hospedagem e cultura enológica surge como extensão da cultura local.


No Palácio Ludovice Wine Experience Hotel, por exemplo, o vinho é o centro de toda a proposta de hospedagem. O edifício que hoje abriga o hotel foi, durante décadas, sede do Instituto Nacional do Vinho do Porto. A experiência de hospedagem inclui degustações diárias e jantares harmonizados, além do envio de garrafas para os quartos.


No térreo do edifício está o restaurante Federico, instalado em um espaço de pé-direito alto marcado por um jardim vertical. Ali, o menu pode ser construído a partir do vinho escolhido pelo cliente, invertendo a lógica tradicional em que o prato define a bebida.


Entre as preparações aparece, por exemplo, o carpaccio de pato defumado com geleia picante de abóbora, servido com espumante da região de Lisboa elaborado a partir das uvas Arinto e Chardonnay.


Cozinha sem fronteiras



Lisboa também se tornou um ponto de encontro entre diferentes tradições culinárias. A cidade recebe chefs estrangeiros e profissionais que passaram longos períodos fora do país antes de retornar com novas referências.


O Karater, localizado no Bairro Alto, parte da culinária da Geórgia – país frequentemente citado como um dos berços da produção de vinho há cerca de 8.000 anos – e a mescla com ingredientes e técnicas portuguesas.


O projeto foi criado pelo chef Guram, que viveu cerca de vinte anos em Portugal antes de voltar à Geórgia para trabalhar na promoção internacional da gastronomia do país. Ao retornar a Lisboa, decidiu abrir um bistrô que adaptasse pratos georgianos à cultura portuguesa.


O cardápio, com cerca de sessenta pratos, foi pensado para estimular refeições compartilhadas, prática comum na tradição georgiana. Entre as preparações aparecem o khachapuri – pão recheado que funciona como símbolo da culinária do país – e pratos de peixe reinterpretados com temperos do Cáucaso. Os vinhos também ocupam papel de destaque. A carta inclui rótulos produzidos em ânforas enterradas, método ancestral que permanece como simbolo da viticultura georgiana. 


Influência brasileira



Outro elemento visível na cidade é a presença crescente de chefs brasileiros. A proximidade cultural e linguística facilita essa circulação e ajuda a explicar por que Lisboa se tornou destino frequente para profissionais – e turistas – do Brasil.


Um exemplo é o Cícero, restaurante que combina arte contemporânea e culinária de inspiração brasileira. O espaço homenageia o pintor pernambucano Cícero Dias e abriga diversas obras coloridas que contrastam com o ambiente predominantemente branco do salão, incluindo algumas do próprio artista.


A cozinha é assinada pela chef brasileira Alessandra Montagne, que construiu carreira na França e trabalhou com nomes como Alain Ducasse antes de assumir projetos próprios em Paris.


No menu degustação, pratos conhecidos da culinária brasileira aparecem reinterpretados ao lado de referências portuguesas. Entradas como coxinha de frango, dadinho de tapioca com trufa branca e pão de queijo com caviar convivem com releituras da tradição lusitana como o pastel de nata feito de couve flor.


Entre os pratos principais estão preparações como pato com tucupi e jambu ou o camarão na moranga em versão reinterpretada. O resultado um diálogo entre duas culturas gastronômicas que compartilham muitos ingredientes e técnicas.


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