Ovo de Páscoa de coentro leva confeiteira atingir faturamento do mês em uma semana

Esqueça os sabores óbvios. Para 2026, a chocolatier Carolina Zbierski Amâncio apresenta uma coleção da Caza Chocolates ousada. Dentre os sabores diferentes estão: pistache e azeite, maracujá e coco, caramelo e biscoito de gengibre, pão de mel, amendoim e caramelo, mas, o grande destaque deste ano é a parceria com a influenciadora Maqui Nóbrega, que resultou em uma criação intrigante: um ovo de Páscoa que traz o coentro como protagonista.
O lançamento, inspirado em uma receita feita pela influenciadora em 2024, une chocolate 53% ao leite, brigadeiro de coentro e coco crocante. O produto de 320g é vendido por R$ 190. A colaboração resgata a amizade das desenvolvedoras, que se conheceram no canal de Maqui no YouTube, onde Amâncio atuou como a primeira mentora no quadro "Sim Chef".
A influenciadora reconhece que o ingrediente divide opiniões, mas reforça que a proposta não é a busca pela unanimidade, nem mesmo entre seu público fiel. "Minha pretensão com esse ovo e com o meu trabalho não é agradar todo mundo. Sei que haverá seguidores que gostam do meu trabalho, mas que vão odiar o ovo ou jamais comprariam. Por outro lado, tem muita gente que gosta porque eu já fiz outras coisas com coentro", comenta ela em entrevista a PEGN.
Além dos ovos, a marca aposta na venda de barras recheadas, sendo a de brigadeiro de coentro com 60g de chocolate R$ 45 e as tradicionais R$ 34.
Sucesso de vendas
Em menos de 24 horas após a abertura das vendas em 8 de março, a marca registrou 198 pedidos, atingindo em apenas uma semana o faturamento equivalente a um mês inteiro de operação. Até o momento, já foram contabilizados 308 pedidos, consumindo 40 kg de chocolate apenas para a linha da collab.
As sessões no site da Caza Chocolates saltaram 3.429% nos últimos 30 dias. Mais do que volume, a parceria trouxe renovação de base: 95% dos compradores são clientes novos. O site, que mantinha uma média de 75 visitas diárias, atingiu o pico de 14 mil acessos no dia do lançamento e a marca também ganhou mais de mil seguidores no Instagram.
Para Nóbrega, o sucesso se explica pela curiosidade: "As pessoas entram lá para comprar as coisas da collab e acabam conhecendo os outros produtos da marca também, comprando e experimentando outros sabores".
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Estratégia de produção e logística
O planejamento para a data começou em agosto de 2025. No início deste ano, a marca adquiriu 300 kg de cacau para garantir o processo bean to bar (do grão à barra), que leva de 25 a 35 dias. O estoque inicial foi dimensionado com 300 embalagens para ovos e mil para as barras. A produção acontece em uma loja de fábrica de 30 m², localizada em Perdizes, São Paulo, onde a equipe de cinco pessoas já está em busca de um colaborador temporário para ajudar com a alta demanda.
"Eu nunca vendi tanta barra de chocolate na minha vida de uma vez", revela Amâncio. Ela destaca que o público compreendeu o valor agregado do processo artesanal e nacional, que utiliza cacau de fazendas parceiras no Espírito Santo e manteiga de cacau da Bahia.
Chocolatier Carolina Zbierski Amâncio comemora sucesso da collab
Camila Rodrigues
Por conta do volume recorde de pedidos, a marca optou por priorizar as vendas online, suspendendo temporariamente as compras físicas na loja. A medida tem como objetivo garantir o cumprimento rigoroso dos pedidos já realizados pelo site, que atende a todo o Brasil via Sedex. Embora a compra direta no balcão esteja pausada para priorizar o estoque prometido, a unidade segue funcionando como ponto de retirada para pedidos feitos online. No local, o cliente pode vivenciar a experiência de ver a produção em tempo real e sentir o aroma de cacau e frutas que domina o prédio.
A surpresa não está só no sabor, algumas unidades do ovo de coentro com crocante de coco contém a Lajuju, um clipe de bolsa em formato de baleia, collab de Maqui com outra marca. Por isso, o lançamento foi apelidado como Maquinder Ovo.
Focada na sustentabilidade e no conceito de "embalagem presenteável", a chef — que além de chocolatier é ilustradora — assina as artes da lata. Ela desenhou baleias e coentros, ícones do universo criativo de Maqui, e, em conjunto com a própria criadora de conteúdo, que também é designer, desenvolveu uma identidade visual autoral para o item. "Eu gosto de me envolver e participar de cada decisão, só faz sentido assim para eu botar o meu nome no produto".
Além disso, as embalagens incluem textos explicativos para o consumidor entender o conceito da marca, permitindo que ele compreenda toda a jornada do chocolate até chegar em suas mãos. "A gente pensou na experiência por completo", explica Amâncio.
Da produção do chocolate até o desenvolvimento das embalagens, tudo é focado na experiência completa do cliente
Camila Rodrigues
Com o sucesso do sabor diferenciado, a Caza confirmou que as barras de brigadeiro de coentro entrarão para o portfólio fixo, com pedidos já agendados para os meses de junho e julho.
Os bons resultados da parceria impulsionam grandes metas para a empresa. Após encerrar 2025 com 18 mil itens vendidos, a marca projeta dobrar sua operação em 2026, com a meta de comercializar 3 mil itens por mês, totalizando 36 mil unidades no ano.
A consistência do modelo de negócio é sustentada por dois pilares de venda: o segmento B2C, com um tíquete médio de R$ 248, e as operações B2B, que registram uma média de R$ 1.250 por pedido. Para acompanhar esse ritmo de crescimento e a demanda gerada pela visibilidade da marca, o próximo passo estratégico é a expansão do espaço físico, para otimizar a produção e aprimorar a experiência dos clientes.
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