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Belo Horizonte,02/07/2026

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Ângela Barbosa Dias

Os Desdobramentos da Maternidade - Tratamento do Lorenzo

Capítulo 7

Arquivo Pessoal
Os Desdobramentos da Maternidade - Tratamento do Lorenzo Nossa família...

Arquivo Pessoal

Vivendo a ansiedade e as preocupações  inerentes aquele cenário, nosso pequeno  Lolo seguia sua rotina  diária, participava das  aulas online, assistia seus vídeos, brincava com seu  irmão e continuava  fazendo suas bagunças ,mas aos  nossos olhos,  como pais , notamos que aqueles sintomas  estavam afetando  o colorido da sua infância.

Ao iniciar a semana  percebemos  que os episódios  de vômito e sonolência  estavam aumentando consideravelmente, seguindo as orientações  médicas, entramos em contato com o Neurocirurgião, que receitou uma medicação,   até o procedimento  cirúrgico.

No meio daquele caos, achei necessário  avisar a professora  do Lolô,  que ele precisaria interromper as aulas, já que todos  os dias, ele participava das aulas online. Com muita dor no coração , abordar tudo aquilo que estávamos passando  era difícil  demais, então na hora que relatei  o real motivo  do afastamento, faltaram palavras porque as lágrimas invadiram  a ligação  de ambos os lados,  precisou o pai do Lolô continuar a conversa; era dolorosa demais aquela situação.

O dia da internação  chegou , mas foi necessário  dar entrada com o Lolô pela emergência, pois o quadro estava evoluindo rápido  demais, ele precisava  ser monitorado no hospital até  a cirurgia, que ocorreria no dia seguinte.

Arquivo pessoal

Amedrontados e vulneráveis ainda ao período Pandêmico, era necessário  perpassar por muitos protocolos de segurança, Lolô precisou  fazer o teste do Covid  para ser apto a realizar a cirurgia. Eu e o papai do Lolô  redobramos todos os cuidados para minimizar os riscos, pois estávamos num  ambiente  com muitas fragilidades.

Ao amanhecer do dia 16 de setembro de 2020 a equipe  médica  chegou  ao hospital  para realizar  o procedimento, a anestesista veio ao quarto buscar nosso pequeno e conversar  conosco para nos tranquilizar , mas o coração  ficou  apertado demais, vivíamos  ali os tons reais do medo, infelizmente, mesmo  como pais, não tínhamos  como evitar aquela situação.

Naquela espera, próximo ao centro  Cirúrgico, eu e o pai do Lolô, pedíamos a Deus forças  para não enxergar apenas o ponto de dor, o diagnóstico e sofrimento, mas que Ele nos desse sabedoria, serenidade e  coragem para enfrentar todos os desafios que estariam por vir .

A cirurgia  demorou entre uma e duas horas, logo fomos avisados do término e que tudo tinha ocorrido  bem, que nosso pequeno Lorenzo  já iria para a  UTI ,que era um procedimento práxis .

Apenas eu e o pai do Lolô tivemos a liberação  de ficar  com ele, para quando ele  acordasse da anestesia  se sentisse seguro com a nossa presença...e isso aconteceu. Seguindo as orientações  da Pandemia, as visitas  eram limitadas e com muitas restrições,  devido aos riscos  de contágio ao paciente.

Ao retornar  da cirurgia,  assim que Lorenzo abriu os olhos notamos  instantaneamente  uma melhora considerável, seus  olhos  estavam novamente  alinhados, não apresentava  mais aquela irregularidade, apesar de ter conhecimento  do diagnóstico, qualquer boa notícia  era bem-vinda.

Arquivo pessoal

Inesperadamente,  recebemos a visita do Pediatra  do Lolô no Hospital, foi um momento de delicadeza  e proximidade que trouxe muito amparo e coragem  para enfrentar toda aquela situação delicada naquele momento.

Na noite daquele dia, Lorenzo  realizou a tomografia e estava tudo transcorrendo muito bem. De acordo com o médico  de plantão,  estava tudo caminhando para  a ida do Lorenzo para o quarto.

Eu e meu marido, naquele quarto de UTI, tentávamos ao máximo  distrair nosso amado filho,  porque aquele ambiente era  hostil demais para uma criança. 

No dia seguinte  da cirurgia,  ainda na UTI, fomos surpreendidos com a visita da responsável  pela Oncologia  Pediátrica do hospital, que conheceu o quadro do Lorenzo,  através da emergência  e  do procedimento  cirúrgico.

Foi um momento  sensível  de acolhida e interação  do Lolô com essa nova profissional. Naquela ambiência,  ela nos  explicou sobre os tratamentos modernos,  equipamentos  avançados e dos diversos  profissionais  capacitados, voltados  para o Câncer  Infantil.

Pautados  nas orientações   médicas, focamos na cirurgia devido a gravidade do caso  e realmente  não  houve tempo  para busca desse profissional. Tudo estava acontecendo  de forma acelerada  e então pedimos auxílio  ao Neurocirurgião  sobre a possibilidade  de iniciar o tratamento  do Lolô naquele hospital  e com aqueles profissionais, ele elogiou muito aquela unidade  Hospitalar, disse que estaríamos bem amparados e que eles disponibilizavam de excelente equipamento  de Radioterapia.

Com a recomendação   do Neurocirurgião, concordamos em dar inicio ao tratamento  do Lolô naquele hospital, a Oncologista  pediu a Ressonância  Magnética  para avaliar o quadro e marcou para  nos reunirmos no próximo  sábado  com uma oncologista  especializada  no caso dele , para  estabelecer  diretrizes para sanar o problema.

Tranquilizando nossos corações, Lolô foi transferido  para o quarto, iniciou a fisioterapia  para ajuda na mobilidade. Estava cercado de carinho e denguinho dos pais, ficou radiante com a visita do seu irmão Henzo, que deixou seu coração  quentinho e o quarto uma bagunça. Apesar daquele ambiente desconfortável, nossa família  estava reunida outra vez , compartilhando afetos e criando memórias.

Naquele sábado tentávamos encontrar  fôlego  para enfrentar mais uma conversa dificílima, atravessada por um diagnóstico  e um tratamento  muito cruel para uma criança  tão pequena.

O diálogo  começa perguntando da nossa crença, naquele momento  percebi a desesperança  nas  palavras da Oncologista, entendo que a verdade precisa ser clara e dita, mas ouvir tudo pela terceira vez era insuportável e dolorido  demais, quase desumano para qualquer Família. 

Como mãe,  não ia me  entregar e desistir, essas palavras não cabiam  na minha maternidade, eu precisava expandir minha coragem, apesar de metaforicamente me sentir de asas quebradas  de não conseguir proteger  meu Lolô das mazelas que essa enfermidade  causava no seu corpinho,  eu lutaria firmemente ao  lado  dele nessa jornada, costurando humildemente cada passo para sua cura.

Ali naquela sala, nos debruçamos em perguntas. Como seria o tratamento? Logo ficamos sabendo  que o plano de saúde  do Lorenzo,  não dava cobertura naquele hospital para  a Radioterapia, mas como o caso dele era bem grave  a Oncologista  iria enviar uma documentação  pedindo  autorização, para que realizasse aquele procedimento  no hospital ainda internado, já que aquela unidade Hospitalar  disponibilizava  de excelentes equipamentos de Radioterapia.

A Oncologista  continuou dizendo que Lolô precisaria ficar internado para fazer o planejamento  da Radioterapia  e seu caso seria encaminhado  para um especialista , um  Rádio-oncologista,   que é o médico  responsável  por avaliar o paciente, prescrever a dose de radiação  e planejar todo tratamento, trabalhando  junto a uma equipe de físicos médicos.

Ao terminar o encontro, a oncologista  receitou um Corticóide  muito agressivo, que tinha como função reduzir o inchaço  do edema cerebral associada a tumores. Mas essa medicação  iria causar  efeitos colaterais significativos  no Lolô como:  aumento  do apetite , ganho de peso, retenção  de líquidos, inchaço especialmente no rosto, irritabilidade, baixa  imunidade entre outros.

Tristemente não poderíamos evitar aquela  medicação, era o que estava disponível  para seu tratamento. 

Mais uma vez, machucados pelo diagnóstico   tínhamos ainda as demandas burocráticas,  aquela espera angustiada  esmagava  nossos corações, desejávamos dar inicio ao  tratamento o quanto antes.

Minha maternidade  parecia bagunçada  por aquela conjuntura, meu pequeno Lorenzo internado pausando sua infância para iniciar uma luta pela sua vida, Henzo aos cuidados  da Vovó, meu coração também ficava apertado, porque ele sentia  nossa falta e naquele momento eu não conseguia maternar com plenitude  porque meus amores precisavam ficar separados.

Dois dias depois daquele encontro, conhecemos o Radio- oncologista, fomos bem acolhidos e amparados  por esse especialista. Ele fez  questão de explicar  que ele era o responsável para criar um mapa exato para atacar o tumor, protegendo  os órgãos  saudáveis. E continuou detalhando as etapas para realização  da Radioterapia.

Lorenzo  iria precisar fazer uma nova Ressonância  Magnética  no próprio  Hospital,  para ser calculado a quantidade de radiação e  de sessões, e uma  equipe iria criar um molde para fazer uma máscara  para o Lorenzo  usar na Radioterapia (para manter o local parado para a radiação) e ao término  disse que Lorenzo  precisaria ser sedado antes das sessões  devido a localização. Meu Deus, minha maternidade  estava reduzida a minha incapacidade  de não poder recusar  aquele tratamento tão penoso para uma criança  que vivia sua meninice feliz.

Termino este capítulo  com uma tristeza silenciosa, minha competência  de maternar parecia ancorada na inutilidade, aquela espera da autorização era penosa demais, eram dias de muita  resiliência  emocional, era  necessário reformular  minha coragem e esperança acreditando  que a ferramenta  de cura estava a caminho.


No próximo  capítulo  os desafios  da Radioterapia  na infância  do pequeno Lorenzo.



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