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Belo Horizonte,04/04/2026

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Cafeteria de SP relata crescimento de 35% após adotar escala 4x3 e divide opiniões nas redes; entenda

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Cafeteria de SP relata crescimento de 35% após adotar escala 4x3 e divide opiniões nas redes; entenda
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Enquanto o debate pelo fim da escala 6x1 ganha diferentes contornos mais claros no Congresso, com pressões do governo e de entidades empresariais, uma pequena rede de cafeterias, com lojas no entorno da Faria Lima e na Vila Madalena, em São Paulo, tem testado algo ainda mais ousado: uma escala 4x3 – e afirma ter ganhos de até 35% no faturamento. A Coffee Lab implementou a nova rotina há cerca de oito meses, mas viralizou nesta semana ao relatar os resultados da iniciativa.
Em entrevista a PEGN, a dona do estabelecimento, Isabela Raposeiras, 52, conta que o crescimento considerando o Ebitda — indicador que mede o resultado operacional da empresa antes de juros, impostos, depreciação e amortização — foi de 22%. De acordo com a Stone, cafeterias costumam registrar margens de lucro entre 15% e 20%.
Ela explica que o avanço ocorreu sem aumento no número de lojas e apesar de interrupções no funcionamento causadas por obras na unidade da Vila Madalena. O resultado também considera o pagamento de algumas rescisões que ocorreram no último ano. Ao todo, o faturamento mensal das duas lojas da marca soma R$ 550 mil mensais.
Funcionários que decidiram pela escala
Há 15 anos à frente da cafeteria Coffee Lab — que também funciona como escola e torrefação —, Raposeiras afirma que nunca adotou a escala 6x1 porque já trabalhou nesse modelo e o considera extremamente desgastante.
A empresária já havia comentado publicamente sobre a adoção da escala 4x3 em seu negócio. Nos últimos dias, porém, o tema ganhou novo alcance após dois vídeos publicados no Instagram da Coffee Lab viralizarem. O primeiro ultrapassou 400 mil visualizações e gerou cerca de 4,2 mil comentários, com dúvidas sobre como o modelo funciona. Para responder às perguntas, Raposeiras publicou um segundo vídeo na rede social, que somou cerca de 93 mil visualizações e 881 comentários.
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Segundo ela, parte da reação foi crítica, sobretudo de empresários, que questionaram a iniciativa sem buscar entender como o modelo foi implementado. “É inadmissível alguém criticar uma iniciativa dessas se já trabalhou na escala 6x1, pegou transporte público e teve que resolver toda a vida em um único dia de folga”, disse a PEGN. “Muitas vezes, quem critica fala de um lugar de privilégio que impede a empatia.”
No Coffee Lab, a mudança para a escala 4x3 partiu da própria Raposeiras e, segundo ela, teve apoio de 100% dos cerca de 30 funcionários do operacional. O novo modelo levou cerca de um mês para ser estruturado e implementado. “Quando eu e meu gerente fechamos a primeira escala, até choramos”, afirma. A empresa, então, realizou um acordo coletivo e refez os contratos de trabalho para refletir a nova jornada de 40 horas semanais (10 horas por dia).
"Quem trabalha no setor de varejo e alimentação, com expedientes em finais de semana e feriados, valoriza muito o descanso adicional", afirma.
Repercussão dos vídeos: de currículos a críticas
Entre os comentários dos vídeos, há diversas pessoas perguntando se poderiam trabalhar no Coffee Lab. Raposeiras contou que recebeu mais de 20 currículos desde as publicações. Outras pessoas se interessaram pelo relato e se mostraram interessadas em aplicar o mesmo nas próprias empresas. Uma usuária comentou: “Eu quero uma consultoria. Preciso entender como apresentar isso para o meu gestor”. Enquanto outra disse: “Parabéns. Incrível. Gostaria muito de aprender com vcs! Tenho uma cafeteria no interior do Paraná”.
Mas, como contou Raposeiras à reportagem, seu relato gerou muitas críticas, muitas relacionadas à carga horária diária dos funcionários. Usuários comentários coisas como: “Puxa tava lindo até chegar nas 10h por dia. A verdadeira escala 4x3 é reduzir carga horária”. Outra pessoa também disse: “Mas gente, 11 hs de trabalho? Mais quanto de transporte?! Desculpa, boa tentativa de fazer 4x3, mas com 11hs de trabalho por dia, mesmo com intervalo, não obrigado. Só se eu precisasse MUITO”.
De acordo com a empreendedora, a Coffee Lab ainda avalia reduzir a jornada para oito horas diárias em quatro dias por semana, totalizando 32 horas semanais. Segundo a empresária, a mudança depende do desempenho da equipe em tornar os processos mais ágeis, mas ela acredita que essa redução poderá ser implementada em breve.
Isabela Roposeiras
Arquivo pessoal
Escala 4x3 e produtividade
No novo modelo, todos os funcionários chegam e saem no mesmo horário: entram uma hora antes de o café abrir e saem uma hora após o fechamento. Segundo a empresária, o turno único é um dos fatores que permitem o funcionamento da escala 4x3. Para Raposeiras, a gestão eficiente da produtividade da equipe faz com que as atividades comecem a rodar mais rapidamente.
“A maior agilidade no serviço, potencializada por uma equipe que trabalha junta e de forma mais eficiente, reflete diretamente no aumento das vendas e do faturamento”, afirma. “No setor de alimentação, a rapidez no atendimento é fundamental para vender mais, especialmente em itens de consumo rápido, como cafés e pequenas comidas.”
A empresária também diz que os três dias de folga melhoram o bem-estar dos funcionários. Segundo ela, a relação entre descanso e desempenho nas vendas é direta: quando a equipe está mais descansada e satisfeita, tende a trabalhar com mais agilidade e eficiência, o que impacta positivamente o faturamento.
A mudança não exigiu a contratação de novos funcionários nem trouxe dificuldades na elaboração das escalas. Raposeiras afirma que sempre gostou de organizar os horários da equipe e diz que a transição de uma escala 5x2 para a 4x3 não é tão complexa quanto pode parecer.
Com o novo modelo, também deixou de ser necessário administrar turnos sobrepostos ou definir quem está responsável por abrir ou fechar a loja em cada dia. Como todos os funcionários estão presentes no mesmo horário, essas tarefas são distribuídas entre a equipe. A maior presença simultânea de funcionários também facilita a organização dos horários de almoço e a cobertura de folgas e férias sem sobrecarregar os demais.
Na avaliação de Raposeiras, o segredo é o empreendedor vivenciar o dia a dia da equipe — senão, nenhuma mudança de escala funciona. De acordo com ela, a mudança é possível, desde que a empresa alcance antes um alto nível de eficiência operacional e tenha indicadores financeiros saudáveis. Sem essa preparação, diz, a redução de dias trabalhados pode ser “traumatizante” ou simplesmente não funcionar.
Segundo a empreendedora, quando cardápio, estrutura e operação já sustentam uma jornada de 5x2, o avanço para a 4x3 tende a ocorrer com mais facilidade e ganhos operacionais. Cardápios com menos itens preparados na hora, por exemplo, ajudam a tornar a rotina da equipe mais ágil.
Para que o modelo funcione, afirma, os empresários precisam estar dispostos a abrir mão de parte do lucro no curto prazo em favor do bem-estar da equipe. “O empresário precisa estar preparado para colocar a mão no próprio bolso e abrir mão de ganhos por um período”, diz. Para ela, essa renúncia deve ser vista como investimento, da mesma forma que ocorre quando se compram equipamentos caros para o negócio.
Raposeiras afirma que, no seu caso, a redução de margem foi temporária. Se a empresa se organizar e ganhar eficiência, diz, a recuperação financeira e o aumento do lucro vêm na sequência.

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Discussão avança no Congresso
O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou intensidade no país entre 2025 e 2026 com a apresentação de propostas legislativas que pretendem diminuir a jornada semanal e assegurar dois dias de descanso aos trabalhadores.
Em fevereiro, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema foi encaminhada para análise de admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Se considerada válida, seguirá para uma comissão especial que discutirá o mérito do texto e, depois, para votação no Plenário. A PEC, apresentada pela deputada Erika Hilton e apensada a outra proposta semelhante, prevê reduzir a jornada para 36 horas semanais; caso seja aprovada em todas as etapas, a nova regra passará a valer 360 dias após a promulgação.
Enquanto o governo pressiona por uma votação rápida no Congresso, representantes de entidades do setor produtivo e de frentes parlamentares se reuniram na terça-feira (3/3) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para solicitar mais prazo para analisar a proposta.




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