Os looks de Kim Kardashian são uma verdadeira aula de história da moda

Foto: Divulgação
Quando Kim Kardashian apareceu no Met Gala de 2022 usando o vestido com que Marilyn Monroe cantou para John F. Kennedy, uma das peças mais famosas da história de Hollywood voltou a ser assunto. O episódio chamou a atenção, mas estava longe de ser uma exceção em seu guarda-roupa.
Nos últimos anos, Kim passou a recuperar criações que marcaram diferentes momentos da moda e da cultura pop. Algumas vieram diretamente dos arquivos de grandes maisons, enquanto outras pertenceram a cantoras, atrizes e personalidades que ajudaram a construir o imaginário de suas épocas.
De vestidos que passaram pelas passarelas dos anos 1990 a figurinos de videoclipes e joias da realeza, essas escolhas também revelam como uma peça pode ganhar novos significados décadas depois de sua primeira aparição. Reunimos nove exemplos que ajudam a contar essa história.


Atelier Versace, alta-costura outono/inverno 1997
Para comemorar os 40 anos de sua irmã Kourtney Kardashian, em abril de 2019, Kim escolheu um minivestido preto inteiramente coberto por cristais, da coleção de alta-costura outono/inverno 1997 da Versace. A criação pertence à última fase de Gianni Versace à frente da maison, antes de sua morte naquele mesmo ano. Na ocasião, Kim compartilhou uma fotografia do desfile original ao lado de sua própria produção, evidenciando seu interesse pelas peças que marcaram a estética exuberante da grife italiana nos anos 1990.


Dior por John Galliano, primavera/verão 2000
Em outubro de 2025, durante a estreia parisiense de “All’s Fair”, Kim apareceu com um vestido azul-claro de John Galliano para a Dior. A peça, com drapeados assimétricos, bordados florais e zíper aparente, havia sido apresentada na coleção primavera/verão 2000. Na passarela original, o vestido foi acompanhado por um chapéu escultural e uma bolsa Saddle coordenada. Vinte e cinco anos depois, Kim dispensou os acessórios teatrais e deixou a construção do vestido assumir o protagonismo.


Thierry Mugler, outono/inverno 1998
Um dos arquivos mais ousados recuperados por Kim apareceu em julho de 2025, quando ela publicou imagens usando um body de Thierry Mugler da coleção outono/inverno 1998. A peça combina transparências, paetês, corset estruturado e meias integradas ao figurino. Na apresentação original, a criação foi acompanhada por um volumoso casaco de pele, elemento que Kim também incorporou à produção. O conjunto recupera a estética futurista e a silhueta quase arquitetônica que fizeram de Mugler um dos nomes mais reconhecíveis da moda no final do século 20.


Givenchy por Alexander McQueen, alta-costura primavera/verão 1997
O aniversário de 45 anos de Kim Kardashian, em outubro de 2025, também foi uma oportunidade para revisitar um momento importante da alta-costura. Para uma comemoração no cabaré Crazy Horse, em Paris, ela escolheu uma criação de Alexander McQueen para a Givenchy, apresentada originalmente por Naomi Campbell em 1997. O look, composto por um corset dourado escultural e uma saia branca com cauda, pertence à primeira coleção de McQueen para a maison francesa, intitulada “Search for the Golden Fleece”. Inspirada na mitologia grega, a apresentação marcou a chegada do estilista britânico a uma das casas mais tradicionais da alta-costura.

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Gucci por Tom Ford, outono/inverno 1997
Mariah Carey foi uma das celebridades que ajudaram a popularizar a estética de Tom Ford para a Gucci nos anos 1990. Em 1997, a cantora apareceu no VH1 Fashion Awards com um vestido preto de ombros à mostra, apresentado meses antes na passarela da grife italiana. Em maio de 2024, Kim recuperou o mesmo modelo vintage e o usou para assistir a uma partida de basquete da WNBA com sua filha North West. A escolha trouxe de volta uma das silhuetas características da fase de Ford na Gucci, marcada por cortes ajustados ao corpo e sensualidade minimalista.

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Figurino de Janet Jackson no videoclipe “If”, de 1993
Em 1993, Janet Jackson lançou o videoclipe de “If”, um dos trabalhos mais conhecidos de sua carreira. Entre as peças que ajudaram a construir sua imagem estava um conjunto preto com top estruturado e calça de amarrações. Quase três décadas depois, em 2021, Kim adquiriu o figurino original por US$ 25 mil em um leilão da Julien’s Auctions. Em junho de 2024, voltou a usá-lo para assistir a um show da própria Janet na Califórnia. A aparição reuniu duas gerações da cultura pop em torno de uma peça que se tornou parte da identidade visual da cantora.

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Cruz Attallah, de Garrard, década de 1920
A relação de Kim com peças históricas também passa pela joalheria. Em 2023, ela arrematou por 163.800 libras a cruz Attallah, um pingente de ametistas e diamantes criado pela Garrard na década de 1920. A joia ficou conhecida ao ser usada pela princesa Diana em um evento beneficente de 1987, acompanhando um vestido de Catherine Walker. Em novembro de 2024, Kim exibiu a peça na gala do LACMA, em Los Angeles, combinando-a com um vestido branco de decote profundo da Gucci. A escolha colocou uma joia associada à realeza britânica em um contexto bastante diferente daquele em que ficou famosa.


Jean Louis, vestido de Marilyn Monroe, 1962
Poucas peças de roupa são tão reconhecíveis quanto o vestido usado por Marilyn Monroe para cantar “Happy Birthday, Mr. President” a John F. Kennedy, em 1962. Criada por Jean Louis, a peça transparente, coberta por milhares de cristais, tornou-se um símbolo da relação entre moda, cinema e celebridade. Sessenta anos depois, Kim surpreendeu ao vestir o original no Met Gala de 2022, emprestado pelo museu Ripley’s Believe It or Not!. A empresária usou o vestido por poucos minutos antes de trocá-lo por uma réplica. A decisão provocou críticas de especialistas em conservação, que questionaram os riscos de voltar a vestir uma peça de tamanha importância histórica.


Yves Saint Laurent por Tom Ford, outono/inverno 2004
Em setembro de 2026, Kim recuperou um vestido preto de paetês com bordados florais, criado por Tom Ford para a coleção outono/inverno 2004 da Yves Saint Laurent. O modelo havia sido usado por Céline Dion no World Music Awards daquele ano, quando a cantora recebeu uma homenagem por sua trajetória musical. A versão de Céline tinha uma longa cauda, enquanto Kim apareceu com uma silhueta mais curta na abertura do Lucas Museum of Narrative Art, em Los Angeles, com styling de Law Roach. Separadas por 22 anos, as duas aparições mostram como um mesmo desenho pode atravessar gerações e adquirir novos contextos dentro da cultura pop.
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