Resíduos de madeira e borra de café podem virar o próximo substituto do plástico

O mundo produz cerca de 430 milhões de toneladas de plástico por ano, mas apenas 9% desse volume é reciclado, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A produção global também pode quase triplicar até 2060, de acordo com projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Presente em embalagens, eletrodomésticos e inúmeros objetos cotidianos, o plástico continua sendo um dos grandes desafios ambientais da atualidade.
Em busca de alternativas aos plásticos convencionais à base de petróleo, a Panasonic Holdings Corporation desenvolve, desde 2015, o kinari, material composto por até 85% de fibras de celulose provenientes de resíduos vegetais. Entre as matérias-primas utilizadas estão bambu, cipreste, palha de cereais e borra de café, além de madeira descartada e outros resíduos orgânicos. O objetivo é aproveitar recursos que muitas vezes seriam negligenciados para criar um material com propriedades semelhantes às de plásticos convencionais.
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Material à base de resíduos vegetais busca substituir o uso do plástico à base de petróleo
O objetivo da pesquisa é oferecer um material alternativo ao plástico, que pode ser incorporado a componentes eletrônicos e produtos do dia a dia
©Panasonic Holdings Corporation
Além da composição, o processo de fabricação é um dos diferenciais do kinari. A tecnologia utiliza um método de produção a seco, que dispensa o uso de água nessa etapa e busca reduzir o consumo de energia e as emissões de dióxido de carbono em comparação com processos convencionais.
O material foi desenvolvido para aplicações em diferentes setores, incluindo componentes eletrônicos, carcaças de eletrodomésticos, peças automotivas e materiais de construção. A proposta é ampliar as possibilidades de uso de matérias-primas de origem vegetal em produtos que tradicionalmente recorrem a plásticos derivados do petróleo.
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Graças ao processo totalmente a seco, os materiais com alta concentração de fibras de celulose podem apresentar variações controladas de cores naturais
©Panasonic Holdings Corporation
O kinari está disponível em diferentes versões, que variam conforme a composição e o acabamento desejado. Algumas preservam características visuais das fibras utilizadas, enquanto outras permitem maior flexibilidade na escolha das cores. Em determinadas formulações, a concentração de celulose e o processo de fabricação resultam em tonalidades naturais e texturas que remetem à madeira, sem a necessidade de corantes.
O destino do material após o uso também depende de sua composição. Algumas formulações podem ser recicladas mecanicamente e reaproveitadas na fabricação de novos produtos de kinari; outras são desenvolvidas para permitir a biodegradação em condições específicas.
Dependendo da composição do produto, o material será reciclado mecanicamente e reutilizado em novos produtos
©Panasonic Holdings Corporation
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Ao transformar resíduos vegetais em matéria-prima para produtos industrializados, a iniciativa busca diversificar as alternativas aos plásticos convencionais. Seu impacto ambiental, porém, depende não apenas da origem dos componentes, mas também dos processos de fabricação, da durabilidade dos produtos e das condições de descarte e reaproveitamento ao fim da vida útil.




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