Sorveteria na Liberdade fatura R$ 100 mil ao mês com sorvete servido na própria fruta

O empresário Danilo Miki de Souza, 37 anos, alcançou um faturamento médio mensal de R$ 100 mil na Kureijī Ice, unidade especializada em gelatos de sua marca temática (que se chama Kureijī), no bairro da Liberdade, em São Paulo. A Kureijī possui atualmente quatro unidades na Liberdade (três docerias e uma sorveteria).
O negócio, fundado em parceria com a esposa e sócia Jéssica de Souza Costa, 32 anos, registrou um crescimento de 700% nas receitas após a viralização de um vídeo nas redes sociais que destaca o sorvete servido diretamente na casca de frutas, como melão e maracujá.
Inaugurada em dezembro de 2025, a operação faz parte de um ecossistema que soma quatro unidades e emprega 23 pessoas, focando na experiência de consumo para o público familiar e jovem que frequenta a região central da capital paulista.
Miki não possui formação original no ramo alimentício. O empreendedor é egresso da área de tecnologia, tendo atuado como CEO e CTO em diferentes companhias, além de ter passagens pelos setores de eventos e segurança patrimonial. O contato inicial com o setor de alimentação ocorreu na construção de uma rede de pizzarias. Após vender participações em outros negócios, ele decidiu investir em marcas próprias no bairro da Liberdade a partir de 2024, inspirando-se em tendências observadas em viagens ao Japão.
O nome da marca, Kureijī, é uma adaptação fonética da palavra inglesa "crazy" (louco) para o alfabeto japonês. "É como se fossem doces malucos. Estamos buscando cada vez mais unir a experiência temática dentro da nossa proposta", afirma Miki.
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A estratégia do sorvete na fruta
A decisão de criar a vertente Kureijī Ice surgiu da observação do fluxo de pedestres na Liberdade. Miki buscou uma solução para o calor e identificou uma oportunidade ao adaptar tendências internacionais, como o sorvete de limão siciliano da Costa Amalfitana, na Itália, para o paladar local.
"Eu senti que lá na Liberdade, naquele miolo, aquele calor, aquele monte de gente... Eu falei: cara, como é que eu consigo trazer um produto que agrade o público? Eu tentei criar algo que fosse, além de sustentável, mais saudável, mais gostoso. Eu pensei: como que eu crio uma base de creme para soft e uso a própria polpa da fruta sem industrialização, sem algo artificial? Crio algo de qualidade e uso a própria fruta como se fosse a casquinha, num custo justo", explica o fundador.
O negócio opera em parceria com uma gelateria para o fornecimento da base, enquanto a finalização acontece na loja. Além das frutas, a unidade produz sorvetes em formatos de ursinho e capivara.
A marca adota a estratégia de soft opening (abertura gradual), operando por até três semanas sem divulgação oficial para coletar feedbacks de clientes. A viralização recente ocorreu de forma orgânica. Um vídeo publicado em colaboração com a página Achados da Liberdade somou mais de 260 mil visualizações em apenas quatro dias.
"Acabou sendo uma consequência. A gente não tem parceria paga. Muito raro a gente fazer isso. A maioria são pessoas que são influenciadoras, veem uma oportunidade, entendem que aquele produto é interessante e acabam criando um formato de vídeo. A gente tem outros vídeos com milhões de visualizações, mas a gente não tem a visão exclusiva na viralização. O excesso nem sempre é sinônimo de qualidade", diz Miki.
O impacto nos números foi imediato. Segundo o empreendedor, o faturamento da unidade de sorvetes saltou cerca de 700% em cerca de dois meses. Com um tíquete médio de R$ 20 — o sorvete de melão ou maracujá é comercializado por R$ 19,99 — a unidade fatura aproximadamente R$ 100 mil por mês.
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Embora o foco inicial fosse o público infantil, com os formatos de bichos, a aceitação entre adultos e idosos surpreendeu. Miki aponta que uma grande parcela dos clientes é formada por mulheres e famílias. "A gente fez algo com acessibilidade pensando em cadeirante, em mãe com carrinho de bebê, que é algo que na Liberdade é impossível de você conseguir transitar. Vemos muita família vindo, mas também um público mais velho, com mais de 60 anos."
Nas redes sociais, o engajamento reflete a recepção do produto. Entre os comentários, seguidores elogiam a sustentabilidade da proposta: "Usando as embalagens da natureza! Ideia genial!!", destacou um usuário. Outros clientes pedem a expansão para novos sabores e cidades: "Inventem o de manga, tem crianças pedindo aqui", ironizou uma consumidora, enquanto outra solicitou: "Traz essas delícias para Cuiabá, por favor". Há também quem valide a experiência física: "O melhor lugar da Liberdade!! Fui e amei".
Para meados de março, estão previstos novos sabores inspirados no Japão. O plano de expansão inclui a consolidação de uma loja de quase mil metros quadrados na avenida Liberdade, que servirá como centro para testes de novos produtos. "A ideia é a gente estabilizar todas as unidades da Liberdade e, mais adiante, pretendemos oferecer algo para os shoppings. Estamos trabalhando muito forte o entendimento do público em relação à marca", conclui Miki.
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