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Belo Horizonte,21/07/2026

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Renato Machado deixa um legado que também passa pelo vinho

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Renato Machado deixa um legado que também passa pelo vinho
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Quando se fala em Renato Machado, a memória coletiva logo remete a uma das vozes mais respeitadas do telejornalismo brasileiro. Mas existe uma faceta de sua trajetória que conquistou admiradores muito além das redações. Ao longo das últimas décadas, o jornalista transformou o interesse pelo vinho em um trabalho consistente de divulgação, tornando-se uma referência para quem acreditava que a bebida podia ser apresentada com conhecimento, simplicidade e sensibilidade.


A morte de Renato Machado, nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, encerra uma história construída diante das câmeras, mas também entre vinhedos, adegas e mesas compartilhadas. Depois de uma carreira consolidada na televisão, ele encontrou no universo do vinho uma forma diferente de exercer o jornalismo: menos pautado pela urgência da notícia e mais dedicado à descoberta de culturas, pessoas e territórios.


Sua relação com o tema nunca esteve restrita às degustações. Renato interessava-se pela origem dos vinhos, pelas famílias que preservavam tradições, pelas transformações das regiões produtoras e pelo impacto da gastronomia sobre cada garrafa. Era comum vê-lo percorrendo pequenas propriedades, conversando com viticultores e buscando histórias capazes de revelar que o vinho começa muito antes de chegar à taça.


Esse olhar fez com que conquistasse respeito entre produtores, enólogos, sommeliers e importadores. Diferentemente de muitos comunicadores especializados, evitava transformar o vinho em um assunto hermético. Preferia traduzir conceitos, contextualizar regiões e mostrar que apreciar um bom rótulo não dependia de linguagem rebuscada nem de protocolos rígidos.


Ao longo dos anos, participou de eventos, festivais, degustações e viagens enogastronômicas no Brasil e no exterior. Também publicou livros dedicados ao tema e produziu conteúdos que ajudaram a despertar o interesse de novos consumidores em um momento de expansão da cultura do vinho no país.


Sua contribuição foi especialmente importante por aproximar dois mundos que nem sempre dialogavam. De um lado, o rigor jornalístico que marcou toda a sua carreira. Do outro, um setor tradicionalmente cercado por formalidades. Renato conseguiu reunir essas características sem perder a leveza, mostrando que conhecimento e prazer podem caminhar lado a lado.


Para quem trabalha com vinho, sua partida representa a perda de um comunicador que ajudou a ampliar o espaço da bebida na imprensa brasileira. Mais do que comentar safras ou recomendar rótulos, ele mostrou que cada vinho carrega uma história, uma paisagem e um modo de viver.


 


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