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Belo Horizonte,15/06/2026

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Hotéis e restaurantes estão entre os que mais aceleraram uso de IA para linguagem, diz estudo

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Hotéis e restaurantes estão entre os que mais aceleraram uso de IA para linguagem, diz estudo


A inteligência artificial deixou de ser uma exclusividade de grandes corporações tecnológicas para transformar o dia a dia de setores tradicionais do mercado brasileiro. Dados inéditos da nova edição da pesquisa TIC Empresas 2025 revelam que, entre os 11 setores analisados pelo estudo, os negócios de alojamento e alimentação e os serviços de artes, cultura, esporte e recreação foram os que mais aceleraram a adoção de IA voltada para linguagem. No primeiro grupo, o uso de ferramentas de mineração de texto entre as empresas que já utilizam IA disparou de 13% para 51%; no segundo, o indicador saltou de 14% para 40%.
Esse avanço coincide com a consolidação dos modelos de linguagem grande (LLMs) no ambiente de negócios. A pesquisa aponta que a Geração de Linguagem Natural (GLN), tecnologia por trás de respostas automatizadas e produção de textos em linguagem humana, teve o maior crescimento geral na pesquisa, saltando de 20% para 30% entre as empresas usuárias de IA. Na prática, hotéis, restaurantes e produtoras culturais passaram a usar essas ferramentas para automatizar o atendimento ao cliente, responder avaliações online de forma personalizada e analisar grandes volumes de feedbacks.
Apesar do grande salto estatístico na hotelaria e alimentação, o coordenador da pesquisa no Cetic.br/NIC.br, Leonardo Melo Lins, faz uma ponderação importante sobre a realidade do setor: "A aplicação passou de metade das que usaram IA, então estamos falando de um número reduzido de empresas dentro do universo total", contextualiza.
Segundo o especialista, a explosão do indicador se justifica, em grande parte, pelas soluções prontas que o mercado passou a ofertar. "Acredito que muitas dessas empresas fazem parte de ecossistemas de aplicativos que oferecem soluções de IA integradas para análise de dados de clientes e automação de processos", explica Lins a PEGN.
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De acordo com o levantamento, 80% das companhias que utilizam IA optaram por adquirir softwares ou sistemas prontos para uso. Entre as pequenas empresas, a taxa das que desenvolvem seus próprios sistemas internamente ficou estagnada em 24%, reforçando a tendência de que o setor caminha para soluções de prateleira.
A facilidade de implementação gerou um marco histórico: o uso geral de IA por empresas brasileiras atingiu 17%, quebrando uma estabilidade que se arrastava desde 2021. O principal motor dessa virada foram justamente as pequenas empresas (de 10 a 49 funcionários), cuja proporção de uso saltou de 10% para 15% em apenas um ano, confirmando que a IA virou uma ferramenta de competitividade para negócios de qualquer porte. Esse avanço nas PMEs fica ainda mais evidente quando analisada a adoção de ferramentas de linguagem: entre as pequenas empresas que utilizam IA, o uso específico de mineração de texto e análise da linguagem escrita saltou de 23% para 39% no período.
Geograficamente, a evolução tecnológica não aconteceu de forma uniforme, concentrando-se com mais força nas regiões Norte e Sudeste. No Sudeste, especificamente, o uso de ferramentas de mineração de texto saltou de 18% para 39%. Para o coordenador, a explicação está relacionada à própria tradição econômica local. "O Sudeste concentra uma maior quantidade de empresas e tem um histórico mais alto de conectividade. É um mercado mais dinâmico, onde a oferta e a demanda por soluções tecnológicas se encontram com maior facilidade", afirma Lins, pontuando que, enquanto no Norte o crescimento é puxado por grandes corporações, no Sudeste as PMEs dividem esse protagonismo.
Para as PMEs que desejam se modernizar, o grande desafio continua sendo o fator humano: a tabela de cargos da pesquisa aponta que apenas 1% a 2% das pequenas empresas possuem Cientistas de Dados ou Engenheiros de IA em suas folhas de pagamento. Lins explica que essas ocupações sequer existem nas classificações oficiais de trabalho e contratá-las diretamente no mercado é uma tarefa complexa para os pequenos negócios. "É muito difícil para o pequeno empresário lançar uma vaga para 'gerente de IA'. Por isso, o mercado de mão de obra acaba muito focado em empresas especializadas", diz.
Diante desse cenário, recorrer a fornecedores externos e ferramentas já existentes surge como a saída mais lógica e inteligente. "Esse movimento de ter outra empresa ajudando no processo de digitalização é super saudável e normal, algo que também observamos fora do Brasil", defende o especialista. "Em vez de resolver tudo internamente, buscar soluções externas se mostra um caminho mais eficiente. Pode não ser o mais barato, mas é o que vai trazer resultados mais rápidos para o negócio", conclui Lins.
Metodologia da pesquisa
Os dados fazem parte da pesquisa TIC Empresas 2025, mapeamento de abrangência nacional que tem como objetivo medir a posse e o uso das tecnologias de informação e comunicação no setor corporativo brasileiro. Com foco em empresas ativas com 10 ou mais pessoas empregadas, o levantamento contou com uma amostra de 4.174 empresas respondentes. As informações foram coletadas entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026 por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI).




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