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Belo Horizonte,09/06/2026

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Cangaço e culinária

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Cangaço e culinária

Ator e fundador da companhia de teatro Estrelas do Sertão, Fábio Moura é também guia turístico e pedagogo. Por esse último motivo, é sempre solicitado por grupos para a Rota do Cangaço, que cruza a cidade de Piranhas, onde realizamos a primeira edição do Mesa Ao Vivo Sertão Alagoas. “Tenho uma didática diferente para trabalhar”, diz ele, que ainda é diretor de cultura na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Vestido como cangaceiro, ele concedeu uma entrevista durante o Mesa Ao Vivo Alagoas. Confira o nosso papo na íntegra! 


Como o cangaço se conecta com a história de Piranhas? 


Principalmente pela morte de Lampião. Foi daqui que partiu a volante (polícia), com 48 soldados, que desceu o Rio São Francisco por 12 quilômetros, atravessou pro lado de Sergipe, no território entre Canindé e Poço Redondo, e matou Virgulino Ferreira da Silva. Como a polícia era de Piranhas, as cabeças foram expostas aqui – de Lampião, de Maria Bonita e de mais nove cangaceiros – na frente do prédio que, hoje, é a prefeitura. Na época, era a residência de um coronel, é na década de 1940 que o prédio passa à gestão pública. 


O que há de mais característico na culinária de Piranhas?


A gente tem uma culinária bem diversificada. A “peixada de canoeiro” faz parte dela, e vem sendo resgatada, porque os barqueiros que hoje trabalham com turismo eram todos pescadores. Eles se reuniam nos dias de folga e cada um que levava um peixe em suas canoas, cozinhavam e brincavam numa proa ou numa prainha fluvial do Rio São Francisco. Há dois meses, eles se encontraram e fizeram essa peixada no Centro Histórico. Essa é uma atividade culinária que é importante de se manter viva na cidade de Piranhas.


Outro prato típico é o cari ao queijo, que alguns bares e restaurantes (e alguns moradores) ainda preparam. É um peixe cascudo do Rio São Francisco, o cari, assado na brasa e finalizado com queijo.


Também tem preparos desenvolvidos a partir da vegetação da Caatinga, como a coroa de frade, que muita gente tem nos próprios terrenos, e com o qual se faz uma cocada.


O pitu, esse camarão de água doce, é outro elemento típico da região.


Sim, também temos a pituzada. O pitu quase entrou em extinção, mas os órgãos ligados à defesa do Rio São Francisco entraram em ação, e os pescadores ficaram proibidos de pescá-lo por 11 anos. Em 2016 a pesca foi liberada, mas controlada. E o turismo fez com que o pitu ganhasse outro valor, e financeiro também: ele passou a ser trabalhado de forma mais profissional, sendo que antigamente era distribuído como um petisco, de tanto pitu que estava disponível. Ele se tornou um produto exclusivo. A pituzada é um dos pratos caros da região. 


@fabio_ator_al


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