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Belo Horizonte,05/06/2026

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Após cirurgia da mãe e perda do filho, família se reergue com negócios de costura e beleza

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Após cirurgia da mãe e perda do filho, família se reergue com negócios de costura e beleza


Após enfrentar o luto pela perda do filho, em 2023, a consultora de venda direta de itens beleza Jaqueline Marques, de 45 anos, encontrou no empreendedorismo uma forma de reconstruir a vida e impulsionar a renda da família. Em Bataguassu (MS), ela aumentou seu faturamento mensal de R$ 1,5 mil para R$ 6 mil em dez meses.
O recomeço ganhou tração no início de 2024, quando Marques foi buscar capacitação para melhorar a gestão do próprio negócio. Ela não restrigiu o conhecimento a si própria: o impacto da profissionalização foi levado para a irmã, a cabeleireira Esther Dariene, de 43 anos. Marques utilizou o aprendizado para reestruturar as finanças do salão da caçula e dar um novo propósito à mãe, Gizelda Fatima Marques, de 62 anos.
Hoje, a dinâmica familiar orbita em torno de três frentes empreendedoras: venda direta de cosméticos, o salão de beleza e um negócio caseiro de costura sustentável.
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Antes de remodelar as finanças do salão, Dariene trabalhava sem controle rigoroso de fluxo de caixa ou planejamento de longo prazo. Com 15 anos de experiência no setor de beleza, ela chegou a cogitar o fechamento do estabelecimento devido à concorrência informal e à falta de organização financeira.
O cenário mudou com o aprendizado técnico em gestão e precificação. Com o faturamento mensal atualmente fixado entre R$ 3.500 e R$ 4.000, e o tíquete médio dos atendimentos capilares consolidado em R$ 200, Dariene conseguiu dobrar a carteira de clientes nos últimos anos.
A estabilidade permitiu um investimento de R$ 10.000 na abertura de um novo espaço de atendimento. O plano agora inclui a oferta de serviços de estética facial e parcerias com profissionais de outras áreas do bem-estar.
"Eu fazia tudo no automático e não percebia o quanto meu trabalho estava crescendo. Aprendi a controlar meu dinheiro, entender meus números e acreditar no meu potencial como empreendedora", afirma Dariene.
A vez da mãe
A consolidação dos negócios das filhas abriu espaço para resolver uma demanda interna. Em 2022, após uma cirurgia na coluna que a impediu de seguir na profissão de doméstica — atividade com a qual sustentou a família —, Gizelda Marques enfrentou um período de ociosidade e depressão, agravado pelo luto do neto.
Para reverter o quadro, as filhas a incentivaram a ingressar no projeto Costura Sustentável, apoiado pela Bracell. A iniciativa fornece maquinário, matéria-prima e capacitação em upcycling (reaproveitamento de materiais). O grupo transforma calças jeans descartadas e bolsas de ráfia industriais em novos acessórios, como bolsas de catálogo.
O processo exige o desmonte, lavagem e reconfiguração dos tecidos recebidos. Os produtos finais são comercializados em feiras locais e lojas parceiras. A atividade garantiu à matriarca independência financeira e complementação de renda, sem custos iniciais de instalação. "Achei que nesse momento da minha vida eu não teria mais utilidade. Com o projeto, eu volto a me tornar útil. A renda está aumentando e a gente está conseguindo produzir mais", diz Marques.
Após deixar o trabalho como doméstica por causa de um problema na coluna, Gizelda Fatima Marques passou a produzir bolsas e acessórios por meio do projeto Costura Sustentável
Divulgação
O ecossistema dentro de casa
O desenvolvimento técnico das três frentes criou uma sinergia comercial entre a família. Marques agora utiliza a antiga cozinha de panificação de sua casa, reformada e climatizada por meio do retorno financeiro obtido, para realizar atendimentos personalizados de maquiagem e consultoria de pele.
O investimento inicial de R$ 2.000 em produtos se transformou em um modelo de venda direta sem intermediários. Quando o grupo de costura de sua mãe precisou desenvolver um catálogo de produtos, foi ela quem realizou a maquiagem das artesãs para as fotos oficiais.
As conversas domésticas também acompanharam a mudança de perfil da casa, migrando de temas cotidianos para estratégias de vendas, logística de entregas e participação em workshops regionais. A cooperação mútua ajudou a descentralizar a operação e a profissionalizar a rotina.
Para o futuro, a meta da família Marques é a escala. Enquanto a matriarca busca otimizar o tempo de processamento dos tecidos recicláveis, as filhas estruturam o modelo de negócios para que a consultoria e o salão funcionem como hubs de atendimento integrado na cidade.
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