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Belo Horizonte,03/06/2026

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Álbum da Copa vira fenômeno emocional e aproxima crianças, adultos e idosos

Especialistas explicam como a troca de figurinhas estimula vínculos afetivos, socialização, memória emocional e até habilidades cognitivas fora das telas

Assessoria de Imprensa
Álbum da Copa vira fenômeno emocional e aproxima crianças, adultos e idosos Internet

Em tempos de excesso de telas e relações cada vez mais digitais, um hábito tradicional volta a ganhar força a cada Copa do Mundo: completar o álbum de figurinhas. Mais do que uma brincadeira infantil, o ritual de abrir pacotinhos, trocar cromos repetidos e acompanhar a competição esportiva pode ter efeitos positivos importantes na saúde emocional e na convivência social entre crianças, adultos e idosos.

A movimentação em escolas, praças, condomínios e ambientes de trabalho mostra que o álbum se transforma em um elemento de conexão coletiva. Segundo especialistas, esse comportamento ativa emoções ligadas à memória afetiva, ao pertencimento e à interação social.

Para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, o fenômeno ajuda a fortalecer laços emocionais em um momento em que as relações presenciais vêm sendo substituídas por interações virtuais.

“A Copa cria um sentimento coletivo raro. O álbum funciona como um mediador social, porque aproxima pessoas de diferentes idades em torno de uma experiência afetiva compartilhada. Muitas famílias conseguem criar memórias importantes justamente nesses pequenos rituais do cotidiano”, explica Thaís.

A neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi destaca que, entre as crianças, a troca de figurinhas vai muito além do entretenimento e pode estimular competências importantes para o desenvolvimento.

“Quando a criança negocia, espera sua vez, lida com frustração ou organiza sua coleção, ela exercita habilidades cognitivas, emocionais e sociais. Existe um aprendizado espontâneo acontecendo ali, de maneira leve e prazerosa”, afirma Silvia.

Já para os idosos, o resgate emocional provocado pela Copa pode contribuir para autoestima, socialização e estímulo cognitivo, especialmente quando há participação ativa da família.

Segundo a psiquiatra Fabricia Signorelli, a Copa do Mundo e a tradicional troca de figurinhas funcionam como verdadeiras pontes temporais na cultura brasileira. Quando avós e netos se sentam juntos para colar uma figurinha no álbum, o que está acontecendo ali vai muito além do colecionismo: é um fenômeno de conexão entre gerações que leva ao resgate de memória e bem-estar psicológico e para o idoso, essa nostalgia associada ao futebol e às memórias da infância pode trazer efeitos emocionais positivos.

“O futebol atua como um poderoso ‘gatilho de memória’. Ao ver fotos de jogadores, camisas ou falar sobre copas passadas faz o idoso reviver memórias agradáveis e compartilhar essas histórias, estimulando a plasticidade cerebral e a memória de longo prazo, reduzindo sintomas de depressão e ansiedade. Para muitos idosos, reviver tradições ligadas ao futebol e ao álbum da Copa pode reduzir sentimentos de isolamento e fortalecer conexões afetivas”, ressalta Fabricia.

Especialistas afirmam ainda que eventos coletivos como a Copa ajudam a criar pausas emocionais importantes em meio à rotina acelerada e às notícias negativas do dia a dia. O simples ato de colecionar figurinhas acaba se tornando uma experiência social que atravessa gerações e reforça vínculos humanos.



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