Com combustível e IPVA em alta, autopropelidos ganham espaço ao custar milhares a menos por ano

O aumento dos custos para manter um carro tem levado o brasileiro a repensar seus hábitos de mobilidade. Com despesas mensais que incluem combustível, manutenção, seguro e estacionamento, o valor pode facilmente ultrapassar R$ 1 mil, pressionando o orçamento e abrindo espaço para alternativas mais acessíveis.
Nesse cenário, soluções de mobilidade elétrica, como as bikes autopropelidas, ganham espaço principalmente em trajetos urbanos. Dados da Abraciclo mostram que o segmento de bicicletas elétricas está em forte expansão no Brasil. Apenas em março, a produção cresceu 142,3% na comparação anual, totalizando 5.447 unidades fabricadas.
Para David Peterle, CEO da StreetGo, esse movimento reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor. "Quando o consumidor coloca na ponta do lápis, o carro deixa de ser uma escolha óbvia. O autopropelido surge como uma alternativa viável, com menor custo operacional e mais previsibilidade no dia a dia", afirma.
Ao comparar os dois modais, a diferença aparece principalmente nos custos recorrentes. Enquanto o carro exige uma cadeia contínua de despesas, o autopropelido concentra o investimento na aquisição e em uma manutenção mais simples.
Carro x autopropelido: o que entra na conta
Ao comparar os dois modais, a diferença aparece principalmente nos custos recorrentes. Na prática, enquanto o carro exige uma estrutura contínua de gastos, o autopropelido concentra o investimento principalmente na aquisição e manutenção básica.
Custos médios de um carro
Combustível: pode ultrapassar R$ 800 por mês
IPVA: entre 2% e 4% do valor do veículo ao ano
Manutenção: revisões, troca de óleo e peças
Seguro: valores elevados, dependendo do perfil
Estacionamento: gasto recorrente em grandes cidades
Custos de um autopropelido
Recarga elétrica: custo muito inferior ao combustível
IPVA: não há cobrança
Licenciamento: não é exigido
Manutenção: mais simples e menos frequente
Seguro: opcional e mais acessível
Economia e tempo no dia a dia
Além da economia financeira, o uso de autopropelidos também impacta diretamente o tempo de deslocamento. Em cidades com congestionamentos frequentes, o carro perde eficiência justamente em trajetos onde a mobilidade leve se mostra mais vantajosa. Em São Paulo, por exemplo, a cidade registrou recentemente 1.149 km de lentidão em um único dia, evidenciando como o trânsito segue sendo um dos principais desafios urbanos.
Nesse cenário, a possibilidade de circular por ciclovias, evitar trechos congestionados e manter uma velocidade mais constante contribui para uma rotina mais previsível e menos estressante. Para muitos usuários, o ganho de tempo no dia a dia se torna tão relevante quanto a economia financeira, reforçando a adoção de alternativas como os autopropelidos.
De acordo com a Resolução CONTRAN nº 996/2023, bikes autopropelidas podem circular como bicicletas, desde que respeitem limites técnicos de potência e velocidade. Nesse enquadramento, não há exigência de CNH, emplacamento ou pagamento de IPVA, o que contribui diretamente para o menor custo de uso.




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