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Belo Horizonte,04/05/2026

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Uma noite para atravessar fronteiras sem sair do balcão

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Uma noite para atravessar fronteiras sem sair do balcão

No dia 17 de maio o Testarossa, endereço que vem afinando o ouvido da cidade para uma linguagem mais precisa de bar, recebe Michael John para uma noite que não pede tradução. É encontro direto, de balcão para balcão, com um dos nomes mais inquietos da cena global. Ao lado dele, conduzindo o ritmo da casa, está Ariel Todeschini, que não só levou o título de melhor bartender do Brasil no World Class 2025 como vem transformando o Testarossa em ponto de conversa relevante no país.


A passagem de Michael pelo Brasil é rápida e concentrada em São Paulo, onde atua como jurado do World Class 2026. Fora desse eixo, só Curitiba. Não é detalhe, é escolha. E escolha diz muito sobre o momento da casa. O que acontece ali não é apenas trazer um nome de peso, mas criar contexto para que a troca aconteça de verdade, sem verniz e sem formalidade excessiva. O tipo de noite em que o serviço acompanha o fluxo e o cliente percebe que há algo diferente no ar antes mesmo do primeiro gole.


Michael John chega com uma assinatura que escapa do lugar comum. Sua formação passa pela cozinha e isso se reflete em cada coquetel, pensado como prato, com começo, meio e fim, com textura, temperatura e intenção. Durante seis anos à frente do programa de bebidas do restaurante Carbon, citado pelo Guia Michelin, ele desenvolveu uma abordagem que privilegia construção e memória de sabor. Não se trata de impacto imediato, mas de permanência.


Ariel Todeschini / Foto: divulgação

No copo, isso se traduz em combinações que parecem improváveis até fazerem sentido. O Plum, por exemplo, leva Johnnie Walker 18 com ameixa sueca fermentada e endro, criando um perfil profundo, quase contemplativo. O Seabuckthorn mistura Tanqueray Ten com espinheiro-marinho e jambu, tensionando acidez e sensação tátil. Já o Rhubarb trabalha Ketel One Vodka com tepache de ruibarbo e broto de pinheiro, em uma leitura que flerta com frescor e rusticidade ao mesmo tempo.


Do lado brasileiro, Ariel responde sem tentar imitar. Seus três coquetéis inéditos partem de ingredientes que carregam memória afetiva e identidade. A goiaba aparece estruturada ao lado do Johnnie Walker 18, o matte verde entra em cena com abacaxi e marsala em um jogo de frescor e profundidade, enquanto a ponkan, em versão sem álcool, mostra que complexidade não depende de teor alcoólico, mas de construção. É um diálogo claro, sem competição, onde cada um sustenta sua linguagem.


Há um movimento silencioso, mas consistente, acontecendo por trás dessa noite. A circulação de bartenders entre casas diferentes vem redesenhando a forma como a coquetelaria se desenvolve, criando pontes onde antes havia ilhas. Quando isso acontece com intenção, como aqui, o resultado ultrapassa o evento e fica como repertório, tanto para quem serve quanto para quem bebe.


Para o público, a equação é simples e rara. Em poucas horas, acessa-se uma síntese de referências que normalmente exigiria deslocamentos longos e agendas complexas. Aqui, tudo se concentra em um único balcão, em uma única noite, com vagas limitadas e sem repetição. É chegar, sentar e deixar a conversa acontecer no ritmo do copo.


Testarossa

Rua Júlia da Costa, 551, Centro, Curitiba

Quinta a sábado das 19h30 às 02h

Domingo das 18h30 à 00h

Segunda das 18h30 à 01h


@otestarossa


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