Artesã de Maceió viraliza ao produzir cadeiras de praia para a Copa 2026; peça custa R$ 740

A artesã Selina Espíndola, 30 anos, natural de Maceió (AL), transformou um hábito de infância em um negócio que une tradição familiar e design contemporâneo. À frente de sua marca homônima, Espíndola desenvolveu uma técnica híbrida que mistura crochê e macramê para personalizar cadeiras de praia, transformando estruturas simples em peças de design. Com um modelo de negócio baseado inteiramente em encomendas via redes sociais, a empreendedora viu sua demanda disparar após um vídeo viral, o que a levou a fechar a agenda de pedidos para dar conta da produção manual.
A trajetória de Espíndola com as artes manuais começou cedo, observando a mãe bordar para entreter as filhas. Em 2014, ela deu o primeiro passo no empreendedorismo com uma loja virtual para vender diversas manualidades. No entanto, o foco nas cadeiras surgiu apenas entre 2019 e 2020, motivado por uma necessidade local. "Como moro em uma cidade de praia, é muito comum o assento das cadeiras comerciais rasgar pela exposição ao sol. Comecei fazendo reformas para mim e, pelo fato de ser artesã, as pessoas passaram a me procurar", conta.
O aprendizado foi solitário. Sem encontrar conteúdo em português sobre a técnica específica de trançado em cadeiras, Espíndola recorreu a vídeos e livros estrangeiros. "Aprendi muito no visual. Via vídeos para reproduzir e observava as imagens dos pontos nos livros. Antes de oferecer ao cliente, eu testo a qualidade da linha e do ponto. Não vendo apenas um produto, vendo meu tempo e um pedacinho de mim", afirma a artesã.
O desafio técnico do 'fio contínuo'
O grande salto do negócio ocorreu neste ano, após o retorno da empreendedora ao Instagram — ela havia perdido sua conta anterior no meio de 2025. Um vídeo de uma cadeira personalizada gerou curiosidade e pedidos por um design específico: a bandeira do Brasil, visando a Copa do Mundo de 2026. O desafio, contudo, era técnico. A técnica original da cadeira utiliza um fio contínuo, sem emendas, o que impossibilitava o desenho detalhado da bandeira.
A solução veio do repertório multidisciplinar de Espíndola. "O saber fazer várias manualidades me ajudou. Desenvolvi uma técnica nova, híbrida, e consegui fazer a bandeira com as estrelinhas e o acabamento perfeito", explica. Enquanto uma cadeira de cor única leva de seis a sete horas para ser produzida, o modelo da bandeira do Brasil exige cerca de dois dias de trabalho exclusivo. "A parte azul é feita ponto a ponto. O que demora é o acabamento, que é o meu diferencial."
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A estrutura de custos do negócio é enxuta, mas o valor agregado pelo trabalho manual é elevado. Espíndola trabalha com dois tamanhos de estrutura: a tradicional e a reclinável. O investimento inicial para produzir uma unidade, considerando a armação e os materiais, varia entre R$ 120 e R$ 140.
No caso do modelo simples e de cor única, a peça é repassada ao cliente por valores a partir de R$ 500, com um tempo de confecção que oscila entre seis e sete horas. Já a versão personalizada com a bandeira do Brasil, que demanda dois dias de dedicação integral, tem preço inicial de R$ 740.
"Meu intuito não é lucrar absurdos, mas que minha arte chegue ao maior número de pessoas. Trabalho apenas sob encomenda e não tenho pronta entrega, pois o que me motiva é criar, e não a linha de produção", diz Espíndola. Atualmente, ela produz uma média de quatro cadeiras por semana, sendo que o faturamento garante o sustento integral da artesã.
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Mesmo sem ponto físico, a operação é organizada para otimizar o tempo de produção. Espíndola compra as estruturas online e reserva o domingo para o planejamento da semana. Os envios são concentrados em um único dia para reduzir as idas aos Correios, já que a maioria das vendas é feita para fora de Alagoas.
A visibilidade digital converteu-se em fila de espera. Desde a postagem do vídeo viral, em 29 de março, quatro cadeiras temáticas da Copa do Mundo foram vendidas. No mês de abril, a artesã não abriu a agenda para novos pedidos devido ao volume acumulado. A repercussão atraiu inclusive comentários de grandes marcas, como o banco Itaú, consolidando o perfil "instagramável" das peças.
"O Instagram é o que mais converte. A cada vídeo postado ou sequência de stories, recebo solicitações de orçamentos e encomendas", relata.
Para o futuro, Espíndola planeja lançar um site para centralizar as vendas de modelos com preços fixos (como os de times de futebol), mantendo o atendimento personalizado para peças exclusivas. No longo prazo, a visão é mais ambiciosa: ter a própria marca de linhas, dada a dificuldade de encontrar matéria-prima variada em seu estado, e abrir um ponto físico que sirva de base para coleções globais.
"Tenho vontade de viajar o mundo e fazer coleções de acordo com cada lugar. Se passar um tempo na Bahia, quero produzir com pedrarias e materiais de lá, mostrando outras culturas dentro da minha arte", projeta Espíndola. Por enquanto, o foco permanece no trançado manual que transformou o cenário das areias de Maceió em uma galeria de arte ao ar livre.
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