Quando aconteceu o 1º beijo na boca? Comportamento evoluiu junto a humanos
O beijo na boca é um dos símbolos do romance no século 21, mas esse costume acompanha os seres humanos há milênios e protagoniza registros muito antigos em diferentes partes do mundo. Nesta segunda-feira (13), o Dia do Beijo faz com que celebremos e reflitamos mais sobre essa prática carregada de afeto.
O ato de beijar já passou por diversas transformações ao longo dos anos, assim como tantos outros costumes que hoje consideramos tão naturais. Nossa espécie evoluiu, sociedades foram construídas e destruídas, mas o beijo na boca segue nos acompanhando como uma forma de expressar amor, carinho, luxúria ou companheirismo.
Qual foi o 1º beijo da história da humanidade?
Evidências científicas comparativas indicam que o ato de beijar pode ter surgido há pelo menos 21,5 milhões de anos ainda nos nossos ancestrais primatas.
Segundo a bióloga evolucionista Matilda Brindle, da University of Oxford, o beijo foi documentado em cerca de 168 culturas diferentes apenas, e dessas, somente 46% tinham esse tipo de beijo romântico ou sexual. Ao pesquisar o assunto, Brindle observou que todos os grandes símios — com exceção de uma espécie de gorila — apresentam algum tipo de contato labial que se enquadra nessa definição. Há ainda registros semelhantes de beijos em alguns macacos e babuínos.
E embora não seja possível afirmar quando e onde o primeiro ser humano decidiu beijar na boca como maneira de expressar afeto, o primeiro registro de um beijo na história da humanidade é brasileiro.
Uma pintura rupestre no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, retrata uma das mais antigas representações de um beijo já registradas por pesquisadores. Apelidada de “O Beijo”, a imagem, feita na rocha com pigmentos naturais, como óxidos de ferro e carvão, é estimada em cerca de 12 mil anos.
Já um estudo de 2023, publicado na revista Science, aponta que o beijo já fazia parte da vida das pessoas há 4.500 anos, no Oriente Médio, registro escrito mais antigo da prática até o momento.
No artigo, os pesquisadores Troels Pank Arbøll e Sophie Lund Rasmussen se baseiam em uma série de fontes escritas das primeiras sociedades da Mesopotâmia para traçar a história do beijo mais antigo já registrado.
“Na antiga Mesopotâmia, que é o nome das primeiras culturas humanas que existiam entre os rios Eufrates e Tigre, nos atuais Iraque e Síria, as pessoas escreviam em escrita cuneiforme em tabuletas de argila. Muitos milhares dessas tabuletas de argila sobreviveram até hoje e contêm exemplos claros de que o beijo era considerado parte da intimidade romântica nos tempos antigos, assim como o beijo podia fazer parte das amizades e das relações familiares”, disse Arbøll, especialista em história da medicina na Mesopotâmia, em um comunicado divulgado na época do estudo.
No entanto, o beijo não deve ser considerado um costume que se originou exclusivamente em uma única região e se espalhou a partir daí. Segundo os especialistas, o ato parece ter sido praticado em várias culturas antigas ao longo de vários milênios.
Na pesquisa, dois tipos diferentes de beijo aparecem na Mesopotâmia antiga: o beijo amigável-parental e o beijo romântico-sexual.
Enquanto o beijo amigável dos pais parece ser onipresente entre os humanos ao longo do tempo e da geografia, o beijo romântico-sexual não é culturalmente universal e é dominante em sociedades estratificadas.
O beijo tem algum propósito?
Algumas pesquisas sugerem que o beijo romântico-sexual pode ter evoluído com o objetivo de avaliar aspectos da adequação de um parceiro em potencial por meio de pistas químicas comunicadas na saliva ou na respiração, mediando sentimentos de apego entre indivíduos unidos por pares e facilitando a excitação sexual e, portanto, as relações sexuais.
O beijo ainda segue aparecendo em outras espécies animais, como o beijo boca a boca com finalidade romântico-sexual nos bonobos (Pan paniscus) e o beijo platônico para administrar as relações sociais nos chimpanzés (Pan troglodytes). Essas duas espécies constituem os parentes vivos mais próximos dos humanos, e suas práticas de beijo podem sugerir a presença e evolução desse comportamento em ancestrais humanos.
“Na verdade, pesquisas sobre bonobos e chimpanzés, os parentes vivos mais próximos dos humanos, mostraram que ambas as espécies se beijam, o que pode sugerir que a prática do beijo é um comportamento fundamental nos humanos, explicando por que pode ser encontrado em diferentes culturas”, afirma Sophie, uma das autoras do estudo publicado na revista Science.
*Publicado por Fernanda Pinotti, com informações de Lucas Rocha e Bruna Lopes
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