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Belo Horizonte,10/04/2026

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Estupro em Botafogo: saiba como identificar sinais de pedido de socorro em bares

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Estupro em Botafogo: saiba como identificar sinais de pedido de socorro em bares
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A maioria dos bares da movimentada Rua Nelson Mandela, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, não tem nenhuma placa ou código “secreto” que mostre uma forma de a mulher pedir ajuda em alguma situação de risco no estabelecimento. O GLOBO percorreu nove bares da via, e apenas quatro deles tinham placas dentro do banheiro com instruções ou códigos.
Dos nove bares, apenas três tinham algum tipo de orientação escrita e visível às mulheres em casos de violência nos estabelecimentos. Em outros três, os gerentes afirmaram que já houve algum tipo de placa no passado, mas que, devido a obras ou ao desgaste do material, acabaram não recolocando.
Além das placas de aviso, outros tipos de “pedidos de ajuda” também são possíveis. No bar Braseiro Carioca da Nelson Mandela, existe um tipo de código para situações desse tipo.
— Nós temos um código que, quando uma mulher chega e pede “Eu quero um chá”, nós já sabemos que ela está em situação de perigo — explicou o gerente do estabelecimento, Leonardo Correia, explicando que o código existe no bar há quatro anos. — Como não vendemos chá, fica mais fácil de identificar. Antes, tínhamos uma plaquinha de aviso também, mas não temos mais. Qualquer determinação que tivermos, estamos dispostos a colocar. Quanto mais exposto o tipo de ajuda, melhor.
A ausência dos avisos na maioria dos bares conflita com a existência da lei estadual (8.378/2019) que obriga bares, restaurantes e casas noturnas a adotarem medidas de auxílio a mulheres que se sintam em situação de risco nas dependências desses estabelecimentos.
Placa de aviso não é suficiente
Um dos bares da Nelson Mandela que possuía uma placa de aviso no banheiro foi palco de um crime nesta segunda-feira, em que uma adolescente de 17 anos foi estuprada por João Pedro Hassan de Gusmão dentro do banheiro do estabelecimento, à luz do dia. O bar possui, nos três banheiros femininos, uma placa com um código de ajuda que diz:
“Está em um encontro que está ficando estranho? Sente que não está em uma situação segura? Vá até o bar e pergunte: ‘Cadê a Ângela?’”.
Ângela é uma personagem fictícia importada de uma campanha contra assédio feita na Inglaterra, em 2016. Outro bar na mesma rua e do mesmo dono também possui a mesma placa.
O bar Coltivi, também em Botafogo, na Rua Conde do Irajá, usa o mesmo código para auxiliar clientes em situações de risco desde 2019, segundo o dono, Pietro Zolin.
O bar tem dois banheiros unissex e, em um deles, a mensagem de alerta está escrita em letras em relevo: “Está em um encontro que está ficando estranho? Sente que não está em uma situação segura? Vá até o bar e pergunte: ‘Cadê a Angela?’”. A frase também está escrita em inglês e, acima dela, está a hashtag #NoMore (“Não mais”).
Até hoje, a pergunta pela personagem nunca foi feita aos funcionários.
Outro estabelecimento da Nelson Mandela também tem um aviso no banheiro informando que, caso a cliente se sinta importunada por assédio sexual, deve procurar orientação na gerência. O gerente do bar, que preferiu não se identificar, afirmou que a decisão surgiu após a gerência perceber o aumento dos casos de estupros em bares:
— Temos isso desde 2020. Foi uma iniciativa própria, porque estávamos vendo muitos casos de estupro em bares e restaurantes. Para preservar o nosso público, preferimos oferecer essa orientação. Nossa equipe também é treinada para identificar qualquer situação suspeita.
Duas jovens que almoçaram no local afirmaram que, nos bares que frequentam — da Zona Sul à Norte —, não percebem placas com avisos, códigos ou orientações sobre o que fazer em uma situação de insegurança.
— Frequento muitos bares pela cidade, principalmente na Lapa, e não vejo esses avisos nos locais. Não sinto que temos esse suporte nessas situações — disse Camila Vitória, de 21 anos.
— Nunca percebi nada que dê segurança quando a gente está com outras pessoas em encontros. Em uma situação difícil, a gente nunca sabe o que fazer ou a quem pedir ajuda. Acho que deveria haver esses avisos de maneira mais explícita, maiores e também em outros locais, não apenas no banheiro — afirmou Giovana Pereira, de 20.




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