Veja cinco desafios que Fernando Diniz terá à frente do Corinthians
Fernando Diniz terá muito trabalho à frente do Corinthians. O treinador que assume o lugar deixado por Dorival Júnior, demitido no último domingo (5), após mais uma derrota do Alvinegro para o Internacional, por 1 a 0, na Neo Química Arena, terá uma lista de problemas a resolver.
Pressão por resultados e insatisfação da torcida não são desconhecidos para o treinador. No gigante paulista, ele precisará resolver uma série de questões para colocar a equipe de volta ao caminho das vitórias. Veja quais são elas:
1. Blindagem do elenco
O Corinthians passou por altos e baixos com Dorival Júnior, mas uma coisa é inegável: o treinador soube, como poucos, blindar o elenco de uma crise gigantesca nos bastidores.
Enquanto fora de campo o Corinthians enfrentava uma troca de presidente — Osmar Stabile assumiu após o impeachment de Augusto Melo —, negociações que despertavam a desconfiança da torcida, como a de André para o Milan, e saídas conturbadas como a de José Martínez, dentro das quatro linhas, o time foi campeão da Copa do Brasil, em 2025, e da Supercopa do Brasil, em 2026.
O treinador nunca escondeu sua insatisfação com o momento de crise, e chegou a dizer, mais de uma vez, que esse fator prejudicava o desempenho da equipe.
A falta de reforços também não passou em branco. Enquanto preparava a equipe para jogos decisivos, Dorival não deixava de mencionar que estava trabalhando no limite para que o time funcionasse sem a contratação de novos jogadores. Mesmo assim, conquistou a confiança do elenco.
Como novo treinador, Diniz também precisará lidar com esse fator. Ele costuma ser muito querido por diversos jogadores que treinou, como Neymar, mas também já foi alvo de críticas por casos como o de Tchê Tchê, no São Paulo, e Nuno Moreira, no Vasco.
2. Recuperação dos homens de confiança do elenco
Rodrigo Garro é um grande exemplo de jogador que o novo treinador precisará trabalhar. O meia é diferente, e isso é claro, mas não vem desempenhando bem desde que voltou de lesão.
O mesmo acontece com Yuri Alberto. Nos dois jogos desde que se recuperou de um problema na coxa, o atacante não marcou.
Memphis Depay é participativo, mas em 2026 também está abaixo do que se espera. O holandês se recupera de uma lesão na coxa, mas, voltando ao elenco, precisará se adaptar ao esquema tático do novo treinador.
Até mesmo Raniele, um dos pilares mais sólidos do setor defensivo, tem recebido críticas da torcida no centro de treinamento.
Para além da recuperação dos atletas já estabelecidos, há também o desafio de integrar as peças recém-chegadas ao elenco, como Jesse Lingard e Zakaria Labyad, que mal estrearam com a camisa alvinegra.
3. Voltar a vencer
Parece uma resolução simples, mas “voltar a ganhar” não é nada fácil no futebol. O Corinthians não vence há nove jogos. Entre partidas em que o gosto da derrota ou da vitória foi amargo e outras em que o time teve uma atuação para esquecer, é preciso superar o número e se recuperar.
Em abril, a temporada entra em um dos seus momentos mais complicados com uma grande maratona de jogos antes da pausa para a Copa do Mundo. O time é 16º colocado no Brasileirão, com dois pontos a mais que a Chapecoense, a primeira na zona de rebaixamento.
Na quinta-feira (9), estreia na Libertadores e, no domingo (12), já enfrenta o Palmeiras na Neo Química Arena.
Desde o início da temporada, o time fez 21 jogos. Empatou 7, venceu 7 e perdeu 7, tomando quase um gol por partida. A defesa, que tomou quase um gol por jogo (0,9) e é a pior do Brasileirão, voltou a ser grande preocupação.
Somar pontos nunca foi tão importante — e o aproveitamento de Diniz no Brasileirão preocupa. Ele tem mais derrotas do que vitórias em seu histórico no campeonato e um aproveitamento de 45,8%.
4. Equilibrar medalhões e talentos da base
Yuri Alberto, Memphis Depay, Jesse Lingard… Dieguinho, André e o novato Igor Machado. De um lado, nomes já consagrados e “cascudos” no futebol. Do outro, atletas ainda em formação, com uma grande responsabilidade ao vestir a camisa do Corinthians.
Fernando Diniz terá que repetir a fórmula adotada com Rayan, no Vasco, com os jovens do Corinthians. Em um elenco recheados de nomes de peso e também de garotos, o estilo “pai que cobra” do treinador pode vir a calhar.
No Fluminense, ele explorou a categoria e, de lá, conseguiu garimpar joias, como André, um dos nomes da conquista da Libertadores em 2023, e Martinelli. No São Paulo, deu chances a Igor Gomes e Gabriel Sara.
5. Domar a insatisfação da torcida
A falta de resultados esgotou a paciência da torcida. Só na última semana, membros das organizadas estiveram no Centro de Treinamento Joaquim Grava ao menos duas vezes para cobrar atletas, conversar com dirigentes e com Dorival Júnior sobre o desempenho da equipe, além de realizar um protesto no estacionamento do estádio, em Itaquera.
Nesta segunda (6), Vitinho, Kaio César e Raniele foram questionados na saída do treino.
“Está achando que a Fiel Torcida é otária, c******? Está de brincadeira, xará? Toda vez a mesma palhaçada. Tá de brincadeira com nós? Você joga no Corinthians, maluco. Não tem mais ideia não, vamos jogar bola nessa p****”, disse Alexandre Domenico, presidente da Gaviões da Fiel, para Raniele.





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