PMI: Alta de preços pressiona e setor de serviços fica estagnado em março
O setor de serviços no Brasil praticamente estagnou em março em meio à intensificação das pressões sobre os preços, com a guerra no Oriente Médio entre os fatores inflacionários, de acordo com a pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras) divulgada nesta segunda-feira (6).
O PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, caiu a 50,1 em março, de 53,1 em fevereiro, ficando bem perto da marca de 50 que separa crescimento de contração.
As empresas monitoradas relataram retração na demanda e menor captação de clientes, com redução da renda familiar e condições econômicas desafiadoras. Os novos pedidos diminuíram pela primeira vez em cinco meses, embora de forma marginal.
Houve citações aos altos custos dos empréstimos, com a queda nas vendas concentrando-se em março nos subsetores de serviços ao consumidor e finanças e seguros.
Os prestadores de serviços brasileiros registraram o maior aumento nos custos de insumos em quatro meses em março, em meio a evidências de alta nos gastos com bebidas, alimentos, frete, combustível, mão de obra, outros serviços e software.
Segundo as empresas, as negociações coletivas com os sindicatos, a tributação e a guerra em curso no Oriente Médio contribuíram para as pressões inflacionárias.
“O mês de março foi desafiador para os provedores de serviços brasileiros, pois a guerra no Oriente Médio elevou os preços dos combustíveis e trouxe novas pressões inflacionárias para a economia”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
Buscando proteger as margens de lucro os provedores de serviços aumentaram novamente os preços de venda em março, no ritmo mais forte desde outubro.
“Essa revisão para cima parece ter restringido a demanda, com os entrevistados da pesquisa observando o impacto negativo das altas taxas de juros e da redução da renda familiar sobre a entrada de novos negócios”, completou De Lima.
Ainda assim, março registrou o segundo aumento consecutivo no emprego no setor de serviços.
As empresas também se mantiveram confiantes quanto a um aumento na atividade ao longo dos próximos 12 meses, mas o nível de otimismo caiu em relação a fevereiro diante de preocupações com a concorrência, pressões inflacionárias, as eleições presidenciais, os altos custos de empréstimos e os aumentos de impostos.
Em março, o PMI Composto do Brasil também indicou estagnação do setor privado, ao cair para 49,9 em março de 51,3 em fevereiro.





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