O que fazer em Milão: onde comer, beber e curtir na semana mais vibrante da cidade

Há semanas em que Milão parece mais Milão. Em abril, quando o Salone del Mobile toma a cidade de assalto, o ritmo muda, as agendas se alongam e os encontros escapam dos pavilhões para ocupar restaurantes, bares e cafés que traduzem, à sua maneira, o estilo de vida milanês. É nesse território difuso, entre uma mesa e um balcão, que a experiência se completa.
Giacomo Brera
Divulgação
Em Brera, o Giacomo Brera sintetiza uma elegância que parece suspensa no tempo. Instalado no Palazzo Buonaparte, o espaço recria a atmosfera da casa original, o Giacomo da Via Sottocorno, frequentado por Renzo Mongiardino nas décadas de 1960 e 1970. Com interiores assinados pelo Studio Peregalli, o ambiente combina paredes revestidas de seda, estantes com antiguidades e iluminação teatral, em um cenário que acompanha pratos como o gran crudo di pesce, os tortelli di pappa al pomodoro com lagostins ou o peixe em crosta de sal, finalizados com a clássica Bomba di Giacomo ou a torta di mele. Para outras leituras da marca, valem o Giacomo Bistrot, com atmosfera de clube privado, e o Giacomo Arengario, em art déco, com vista para a Piazza del Duomo.
Trattoria del Ciumbia
Divulgação
A poucos passos, a Trattoria del Ciumbia propõe uma imersão nos anos 1960. Com interiores do Dimorestudio, o restaurante combina azulejos verdes, mosaicos em tons de vermelho, lambris de madeira e iluminação âmbar, pontuados por peças de Vico Magistretti e Achille Castiglioni. À mesa, clássicos lombardos como cotoletta, ossobuco e risotto alla milanese, em um espaço que se desdobra em trattoria no térreo e clube noturno no subsolo, embalado por hits italianos das décadas de 1970 e 1980.
LEIA MAIS
🏡 Casa Vogue agora está no WhatsApp! Clique aqui e siga nosso canal
Beefbar Milan
Divulgação
Para quem busca experiências mais dramáticas, o Beefbar Milan ocupa a antiga capela do seminário com projeto do Humbert & Poyet. Arcos de pedra enquadram o salão e preservam a arquitetura original, criando um contraste direto entre o caráter sacro do espaço e a proposta contemporânea centrada em cortes de carne e atmosfera vibrante.
Clássico incontornável, o Bar Basso, fundado em 1947 na Via Plinio, mantém seu letreiro em neon como marco da cidade. Foi ali que Mirko Stocchetto criou, no fim dos anos 1960, o Negroni Sbagliato ao substituir o gin por espumante. Até hoje, o drinque é servido em grandes cálices de vidro soprado sob lustres de Murano, especialmente disputados durante o Salone.
Langosteria
Divulgação
Entre os hotspots, a Langosteria se firma como um dos endereços mais desejados. A Langosteria Cucina, flagship no distrito de Tortona, traz interiores assinados pelo Dimorestudio com referências a yacht clubs dos anos 1960 e ao glamour dos bistrôs parisienses. O menu gira em torno de frutos do mar, dos crudos aos spaghetti alle vongole, passando por tagliatelle agli scampi, lagosta, carabineiros e paccheri. Reservas são concorridas, mas o Langosteria Bistrot e o Langosteria Café, na Galleria Vittorio Emanuele II, oferecem alternativas.
LùBar
Divulgação
Em um registro mais solar, o LùBar ocupa a limonaia da Villa Reale, uma estufa de vidro do século XIX ao lado da Galleria d’Arte Moderna. Criado por Lucilla Beccaria e Lucrezia Beccaria, o espaço leva referências sicilianas ao coração de Milão, com cerâmicas, tecidos e um menu que percorre granita, arancini, caponata, cannoli e pratos mediterrâneos reinterpretados. Funciona do café da manhã ao jantar e inclui uma pequena loja com objetos e produtos. Há ainda o LùBarino em Brera.
Marchesi 1824 Galleria
Divulgação
Para pausas estratégicas, a Marchesi 1824 Galleria traduz a tradição da pasticceria italiana em um cenário sofisticado. Fundada em 1824 e hoje parte do grupo Prada, a confeitaria combina papel de parede de seda jacquard verde e balcões de mármore para apresentar panetones, bombons, pralinés e marron glacé.
Initial plugin text
Na contramão do circuito mais evidente, a Latteria San Marco funciona como um segredo bem guardado. Com apenas oito mesas, sem reservas e sem concessões, o espaço aposta em uma estética essencial e em um menu que muda diariamente, com pratos lombardos e massas como o linguine al limone e peperoncino.
Bar Luce
Attilio Maranzano/Divulgação
Entre um compromisso e outro, o Bar Luce, projetado por Wes Anderson, recria a atmosfera de um café milanês retrô. O teto faz referência à cobertura da Galleria Vittorio Emanuele, enquanto mesas de fórmica, papel de parede inspirado em quadrinhos dos anos 1950 e detalhes em tons pastel constroem um cenário que parece saído de um filme.
Initial plugin text
Na Zona Risorgimento, a Pasticceria Sissi mantém o espírito de bairro com doces artesanais e ambiente boêmio. O brioche recheado na hora, com creme de confeiteiro ou chocolate, é um clássico, assim como o vassoio di pasticcini mignon. Nos fundos, um jardim discreto acolhe mesas ao ar livre.
Bistrot Bertarelli
Divulgação
A poucos metros do Duomo, o conjunto formado por Il Bistrot Bertarelli 1894, a Libreria Touring Club e o Bar Veloce Milano reúne livraria, bar e bistrô em um único endereço, ideal para pausas entre uma instalação e outra.
Onda Milano
Divulgação
Quando a noite se impõe, novos endereços desenham o mapa contemporâneo da cidade. O Lubna Milano combina estética cyberpunk, coquetelaria experimental e curadoria musical em vinil sob o comando do mixologista Marco Masi, com criações que exploram fumaça, brasa e ingredientes sazonais. Já o Onda Milano aposta em uma experiência hi-fi com projeto acústico dedicado, caixas Altec dos anos 1970 e sets em vinil que conduzem a noite em um ambiente minimalista.
E é isso que define Milão nesses dias: uma cidade que se expande para além do óbvio. O design pode ser o ponto de partida, mas é nos encontros e nos rituais que atravessam esses endereços que a experiência realmente ganha forma.





COMENTÁRIOS