Família abre mão do único imóvel para empreender e hoje lidera grupo que fatura quase R$ 500 milhões

Em 2003, Weverton Alencar Coelho trabalhava como técnico em manutenção de equipamentos hospitalares e odontológicos, quando percebeu oportunidades na área comercial do segmento de saúde. Ele decidiu empreender usando estantes de segunda mão para guardar peças de reposição em um negócio de manutenção de equipamentos médicos que funcionava em uma loja alugada em Goiânia (GO).
Dois anos depois, para expandir a operação, Coelho vendeu o único imóvel da família por R$ 74 mil (cerca de R$ 250 mil em valores atuais) para comprar alguns mostruários. A primeira grande virada de capital do negócio veio de uma operação de crédito em 2009 para garantir capital de giro. Com apoio de fornecedores chineses, Coelho estruturou em um grande banco uma antecipação de recebíveis de R$ 3 milhões.
Agora, 23 anos após fundar a Hospcom, focada no segmento médico-hospitalar, Coelho vê os três filhos liderarem o negócio, transformado em uma holding presente também nos segmentos de educação, tecnologia, inovação, veterinária e gastronomia. Com operações no Brasil e na Colômbia, onde atua com equipamentos para clínicas veterinárias, o grupo Hospcom projeta R$ 500 milhões em faturamento este ano, o que representa 40% de crescimento em relação a 2025.
“Nossa meta é chegar a R$ 1 bilhão, em 2028, e entrar em mais dois países da América Latina até 2030”, ressalta o CEO da Hospcom, Gabriel Alencar Coelho.
Primeiro dos três filhos de Coelho, Gabriel, de 31 anos, assumiu o comando do empreendimento familiar em 2019, quando o pai passou a presidir o Conselho de Administração do grupo. O fundador da Hospcom lembra que Gabriel, ainda adolescente, programou a primeira plataforma de Customer Relationship Management (CRM) da empresa.
“É um desenvolvimento caro. Custaria o valor da companhia na época. Ele aprendeu na internet e desenvolveu a linguagem”, lembra Weverton.
Os dois irmãos de Gabriel também sempre estiveram dentro do negócio. O atual diretor administrativo do grupo, Daniel Coelho, assumiu aos 16 anos a gerência financeira, com apoio de uma ex-funcionária que foi sua mentora. A única filha de Weverton, Bárbara, que tem 27 anos e é diretora de marketing da empresa, liderou o primeiro esforço de diversificação do negócio para além da área de saúde. Em 2016, Bárbara, com 16 anos à época, coordenou a inauguração do primeiro restaurante da família, o japonês Izu, em Goiânia.
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Governança deu origem à holding
Com muito foco em profissionalização, o fundador do grupo nunca deixou de investir em governança. Essa atitude foi decisiva para transformar o negócio em holding e tornar os filhos seus sócios no papel. As mudanças na estrutura da empresa favoreceram ainda a retenção de executivos que atuavam no grupo e a criação de verticais, como os braços de educação e tecnologia (Ospicon University, Ospicon Next).
A Hospcom também investe em inteligência artificial, com o desenvolvimento da Dra. MI.A, que oferece suporte à decisão médica. O grupo estruturou ainda o Instituto de Anatomia, Robótica e Treinamento (Iart), focado em treinamentos de cirurgia robótica.
A mudança na governança, segundo Weverton, foi estratégica para reter os três talentos dentro de casa. “São profissionais bem formados por mim, por clientes e parceiros de negócios que serviram de mentores. Se não fizesse isso, a Hospcom os perderia”, diz, frisando que usa a mesma prática para reter outros talentos nas empresas da holding.
Longe do estereótipo do fundador que passa a atuar no conselho para diminuir o ritmo, Weverton, hoje com 52 anos, esbanja fôlego para inovar. Além dos investimentos em IA e educação, o grupo tem avançado na gastronomia. Uma das criações mais recentes do empreendedor é um reality show que acaba de estrear no Youtube, o Izu Master Roll, dedicado à culinária japonesa. Com a exposição nas redes sociais, a ideia é pavimentar a expansão do restaurante Izu, chegando a 100 lojas. As primeiras 11 entraram em operação esse ano.
Perguntado sobre o futuro, o empreendedor, que assumiu a guarda dos três filhos após o divórcio e os criou dentro da empresa, só pensa em deixar um legado. “O que ganho dá para viver bem, mas temos que entregar um legado. É preciso entender que empreender vai além de abrir um CNPJ. Exige liderança e governança”, diz.
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