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Belo Horizonte,05/04/2026

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Empresário que vendeu operação na indústria alimentícia aposta em ecossistema para preparar varejo para nova lógica tributária

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Empresário que vendeu operação na indústria alimentícia aposta em ecossistema para preparar varejo para nova lógica tributária
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Com a reforma tributária em curso e mudanças relevantes na dinâmica de arrecadação, o varejo alimentar brasileiro entra em uma nova fase de complexidade operacional e pressão sobre as margens. É nesse contexto que o empresário Paulo Nogueira, que no ano passado vendeu uma operação voltada à indústria alimentícia, inicia um novo movimento estratégico com foco na estruturação de um ecossistema voltado à gestão do setor.
Com trajetória construída na área de tecnologia da informação e passagem por multinacionais, Nogueira empreendeu em 2016 e liderou a criação da Vappore, empresa que desenvolveu soluções para a indústria alimentícia. Após o "exit", decidiu direcionar sua atuação para um segmento que, segundo ele, passa por uma transformação estrutural. "Não é apenas uma mudança tributária, é uma mudança na forma de operar, decidir e sobreviver no mercado", afirma.
A nova aposta do empresário e seus sócios Helber Pessoa e Eduarda Costa envolve um investimento não revelado na aquisição e integração de empresas complementares, mas visa atingir um faturamento de R$ 100 MM nos próximos 3 anos.
Reforma tributária muda lógica de caixa e pressiona gestão
A iniciativa surge em um momento crítico. A reforma tributária brasileira, com transição prevista até 2033, deve alterar profundamente o funcionamento financeiro das empresas. Um dos principais pontos de atenção é o chamado split payment, modelo em que os tributos passam a ser recolhidos automaticamente no momento da transação.
Na prática, isso elimina a possibilidade de uso do caixa proveniente de impostos, estratégia comum no varejo, e exige maior rigor na gestão financeira.
"O imposto deixa de ser algo que você administra ao longo do tempo e passa a ser descontado na origem. Isso muda completamente a dinâmica de caixa e exige uma gestão muito mais profissional", explica Nogueira.
Segundo dados do IBGE, o comércio responde por cerca de 25% do PIB brasileiro, enquanto o varejo alimentar figura entre os principais empregadores do país. Ainda assim, o setor opera com margens historicamente apertadas, alta carga tributária e baixa maturidade em gestão, combinação que tende a se agravar com as novas regras.
Atualmente, o ecossistema atende cerca de 1200 clientes e já demonstra expectativa de crescimento de 130% até o fim de 2026. A proposta é consolidar um modelo que vá além da contabilidade tradicional e entregue inteligência de gestão.
"O que estamos construindo é um ecossistema que conecta dados, educação e operação. Não é só cumprir obrigação fiscal, é ajudar o empresário a entender o negócio e tomar decisões melhores", afirma.
A camada tecnológica é um dos principais diferenciais. A partir da integração de dados fiscais, financeiros e operacionais, incluindo informações de sistemas internos e bases governamentais, a plataforma busca gerar insights em tempo real para os clientes.
"A gente integra diferentes fontes de informação e transforma isso em estratégia. O objetivo é sair do relatório e ir para a tomada de decisão", diz.
Especialização surge como resposta à complexidade do setor
Em um mercado dominado por soluções generalistas, o grupo aposta na especialização como diferencial competitivo. Enquanto grandes plataformas de contabilidade atendem múltiplos segmentos, a estratégia foca exclusivamente no varejo alimentar e food service.
O segmento inclui supermercados, indústrias, restaurantes e padarias, negócios com dinâmicas próprias, alta sensibilidade a custos e forte impacto tributário. "Hoje, a maioria das soluções fala de forma genérica com o empresário. O varejo alimentar tem particularidades muito específicas, de margem, operação e tributação, que exigem outro nível de profundidade", explica.
Além da integração entre gestão, educação e tecnologia, o plano inclui a criação de uma frente financeira. A ideia é utilizar a base de dados estruturada para ampliar o acesso a crédito para empresas do setor, com análises mais precisas de risco e performance.
Esse movimento aproxima o ecossistema de um modelo de fintech especializada, voltada a um nicho ainda pouco explorado. "Quando você entende profundamente os dados do cliente, você consegue oferecer melhores condições financeiras. Esse é um caminho natural da evolução do modelo", afirma.
Para Nogueira, a combinação entre reforma tributária, digitalização e pressão por eficiência deve redefinir o varejo alimentar nos próximos anos, criando uma janela de oportunidade para empresas mais preparadas.
"A forma de gerir o varejo alimentar vai mudar completamente. Quem se adaptar rápido vai ganhar eficiência e competitividade. Quem não se preparar, vai ter dificuldade para sobreviver", conclui.




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