Ângela Barbosa Dias
Os Desdobramentos da Maternidade - Capítulo 5 - Diagnóstico do Lorenzo
Diagnóstico do Lorenzo
Os dias seguiam lentamente, estávamos assolados pelo desconhecido. O dia 11 de setembro parecia uma data longínqua, mas era necessário seguir, encarar e não deixar o medo paralisar, apesar da nossa vulnerabilidade emocional, jamais iria me ausentar do desdobramento da maternidade.
Exame pronto, consulta agendada e era preciso descobrir o que estava acontecendo e em nenhum momento houve hipóteses sobre algum diagnóstico, então, com confiança e tranquilidade seguimos ao consultório com o pequeno Lolô.
Ao entregar a Ressonância, o Neurologista examinou as imagens e o laudo detalhadamente, iniciou um esclarecimento que aqueles sintomas do Lorenzo estavam relacionados à um tumor no Tronco Cerebral.
Ao ouvir aquelas palavras devastadoras, não pude conter as lágrimas, uma dor dilacerante invadiu todo meu ser, era um diagnóstico avassalador, que vinha impregnado de estigmas como medo, dor, sofrimento e incertezas.
Não tenho vocabulário suficiente para descrever o inaceitável e o incabível para uma criança de 4 anos, que estava apenas iniciando sua trajetória de vida.
Eu e meu marido naquela sala conversamos no silêncio do olhar, o coração estava esmagado, mas a urgência do tempo, nos fez enxergar no meio daquela fatalidade que era necessário reconstruir internamente o que não foi programado pela lógica humana.
Roubaram-me naquele instante a paz, a felicidade, os sonhos e o encanto de maternar, as preocupações não cabiam mais em palavras.
Com fraternidade, compaixão e empatia o Neurologista nos acolheu, e com uma linguagem clara esclareceu a real situação do quadro do Lorenzo.
A Ressonância apontava um TUMOR NO TRONCO CEREBRAL , que ocorre ao crescimento de células anormais , como o tronco é muito pequeno e compacto, o crescimento da lesão comprime as estruturas que abriga os centros de controle da respiração, deglutição, dos movimentos e de outras funções vitais.
Ao ouvir cada palavra dissertada era preciso recrutar forças para ver além do previsto ,era necessário Reformular nossa rota e desbravar outros caminhos, porque a palavra DESISTIR não cabia no meu contexto de amor maternal.
Naquele instante pensei que já tinha ouvido tudo, mas as notícias não paravam por aí, o Neurologista revelou que de acordo com o Laudo , o tipo da Lesão do Lorenzo era chamado "Glioma Difuso de Linha Média", era um Tumor Cerebral Cancerígeno, altamente agressivo, de crescimento rápido e infiltrativo, que se desenvolve nas estruturas do Sistema Nervoso Central.
Antes que eu pudesse administrar emocionalmente todas as informações, o médico revela a necessidade de uma cirurgia de urgência para nosso Lolô, não para retirada do Tumor, que no caso dele era inviável , por causa da localização.
O tipo da Lesão havia causado aumento da pressão intracraniana, devido à produção excessiva de líquido bloqueando o seu fluxo normal, também conhecido como hidrocefalia.
Mediante tal fato, nos encaminhou para o Neurocirurgião da sua confiança, que iria realizar a cirurgia o mais rápido possível e finalizou dizendo que o tratamento para o glioma inoperável consistia apenas em radioterapia e que a quimioterapia nesses casos costuma ter baixa eficácia.
Apesar de todo sentimento de desesperança e imprevisibilidade pontuada pelo Neurologista, não desistiríamos da vida do nosso pequeno Lorenzo, não iríamos nos aprisionar ao medo, era necessário arregaçar as mangas, deixar para trás aquele olhar limitado e reduzido. Apesar do dissabor que a maternidade naquele momento apresentava, eu como mãe não me permitiria esmorecer, era preciso ter coragem de viver o desconhecido, o ilimitado e até mesmo o irreversível na busca da Cura do meu pequeno Lolô.
Mesmo com o coração despedaçado, era preciso seguir em frente e continuar rompendo a desordem estabelecida pela fragilidade da vida.




Não perca no próximo capítulo os detalhes do procedimento cirúrgico do Lorenzo ainda na Pandemia...



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